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segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Zé Mulato e Cassiano
Zé Mulato (José das Dores Fernandes), nascido em 12/08/1949, e Cassiano (João Monteiro da Costa Neto), de 19/04/1955, naturais de Patos de Minas-MG, formam nos dias de hoje a mais autêntica dupla caipira brasileira.
Combinando, o romantismo da dupla Zé Carreiro e Carreirinho, o modo de tocar a viola que nos faz lembrar " Tião Carreiro e Pardinho" e também o bom humor que nos faz lembrar das inesquecíveis sátiras das saudosas duplas Alvarenga e Ranchinho e Jararaca e Ratinho, "Zé Mulato e Cassiano" formam o que conhecemos como a "Dupla Três em Um".
Zé Mulato e Cassiano Cantores e compositores, tiveram as primeiras lições de música com o pai, que tocava cavaquinho e cantava. Zé Mulato aprendeu os primeiros passos na viola com o andarilho Raimundo Roda, que estava de passagem por sua cidade.
Em 1969, formaram a dupla e mudaram-se para Brasília a fim de tentar a carreira artística. Em 1978, gravaram o primeiro disco pela gravadora Chororó. Em seguida, gravaram mais quatro discos. Participaram, também, de inúmeras coletâneas, entre elas, uma homenagem ao Capitão Furtado, onde cantaram ao lado de Sivuca, Rolando Boldrin, Roberto Corrêa e outros. Muitas de suas composições foram gravadas por diversos violeiros em vários estados do Brasil. O cantor Eduardo Dusek gravou "Soraia".
Adeptos da música sertaneja de raiz, ficaram dez anos sem gravar, desencantados com o rumo da música sertaneja, embora continuassem a cantar e a se apresentar em qualquer lugar onde houvesse respeito e admiração pela música de raiz.
Retornaram às gravações, em 1988, pelas mãos da dupla Pena Branca e Xavantinho, que os levou ao compositor Vitor Martins da gravadora Velas. No mesmo ano, gravaram o CD "Meu céu", com direção musical de Roberto Corrêa. Receberam por este CD o Prêmio Sharp de melhor CD de música regional daquele ano.
Em 1999, com produção de Roberto Corrêa, gravaram o CD "Navegantes das Gerais", registrado com os músicos tocando ao vivo, como se estivessem num palco. Interpretaram toadas, modas de viola, batuque, valseado, cururu, queruma, xote e pagode-de-viola.
Destacam-se as composições "Boca da noite", "Chão mineiro", "Meu deserto", "Remoendo solidão", "Diário de caipira" e a faixa título "Navegante das Gerais", em que fazem uma verdadeira profissão de fé ao afirmarem "Se me chamam caipira, fico até agradecido, pois chamando sertanejo, eu posso ser confundido".
Algumas obras
A face da moeda (Zé Mulato e Cassiano) • A vantagem da pobreza (Zé Mulato e Cassiano) • Boca da noite (Zé Mulato e Cassiano) • Chão mineiro (Zé Mulato e Cassiano) • Cinqüentão (Zé Mulato) • Diário do caipira (Zé Mulato) • Lágrima (Zé Mulato e Cassiano) • Melhor sozinho (Zé Mulato) • Meu deserto (Zé Mulato e Cassiano) • Navegante das Gerais (Zé Mulato e Cassiano) • Remoendo solidão (Zé Mulato) • Revolta (Zé Mulato e Cassiano) • Saudação (Zé Mulato e Cassiano) • Soraia (Zé Mulato e Cassiano) • Tarde no sertão (Daniel Fernandes e Zé Mulato).
Fontes: Revivendo Músicas; Programa Umaitá: Zé Mulato e Cassiano - A dupla três em um.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Zé Cupido
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Zé Cupido |
Zé Cupido (José Idelmiro Cupido), compositor e instrumentista, nasceu em Taubaté, SP, em 18/12/1936. Nascido no distrito de Quiririm, criança ainda revelou talento musical, tocando gaita-de-boca e sanfona de dois baixos.
Era atração nas festas de igreja e quermesses, tendo-se até apresentado como sanfoneiro para Cascatinha e Inhana, no Circo Estrela Dalva.
Foi para São Paulo SP em 1952, logo se tornando popular. Atuou em programas da Rádio Piratininga e, no ano seguinte, era uma das atrações do programa Sanfonas e Sanfoneiros, dessa emissora. Levado por Arlindo Pinto para a Copacabana, foi apresentado a Anacleto Rosas Júnior, diretor da programação de música sertaneja da gravadora, e em 1958 lançou seu primeiro disco, a polquinha Meu prazer (Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Júnior).
Passou então a fazer acompanhamentos em gravações de diversos gêneros musicais, lançando também discos como solista, em que tocava todos os tipos de sanfonas e harmônicas.
Em 1964 gravou o primeiro LP, Tiro e queda, na Chantecler, já como Zé Cupido. Em 1965 gravou um LP solo instrumental com músicas inéditas pela CES, com o título Zé Cupido pelos quatro cantos do Brasil, em que se destacou a toada Sertão da minha terra (Jorge Paulo). No mesmo ano, gravou o LP Viajando pelo Brasil, também pela CBS, com destaque para a quadrilha Ao pé do fogo, composição própria.
Nove anos depois lançou pela etiqueta Tropicana, da CBS, outro LP com composições de sua autoria, tendo como parceiros Arlindo Pinto, Capitão Furtado e Roberto Stanganelli. Em 1978 gravou pela Chantecter 3 LPs com o pseudônimo de Chico Manguaça, contendo músicas inéditas e regravações.
Em 1979 gravou um LP pela Cartaz/Sabiá, com arranjos de clássicos como Brasileirinho (Waldir Azevedo) e Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu).
Posteriormente, continuou participando de shows e fazendo acompanhamento de gravações de artistas como Tonico e Tinoco e Teixeirinha.
Em 1997 lançou dois CDs pela gravadora Arlequim: Mercado de São José, com destaque para Não existe pecado ao sul do Equador (Chico Buarque) e a inédita Quadrilha (Jorge Melo); e Cangaceiro — cabra macho, destacando as composições próprias No coração do Brasil e Baile na colônia.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publi Folha - 2a. Edição - 1998.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Luís de Castro
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Luís de Castro |
Luís de Castro, compositor e cantor, nasceu em Campos do Meio, MG, em 11/12/1936. Criado no sertão mineiro, conviveu desde pequeno com poetas e violeiros.
Ainda adolescente, compôs sua primeira música, Somente tu, originalmente um tango. Essa composição seria gravada em 1960, por José Orlando, com imediato sucesso para o compositor e numerosas regravações, inclusive por Cascatinha e Inhana e Albertinho Fortuna.
Gravou um LP pela RC, em 1965, Meu pedacinho de chão, com destaque para a música-título, A noite de nós dois e O último trago, todas de sua autoria.
Na década de 1970, formou com Tupi uma dupla que gravou o LP Pedacinho de chão (discos Popular, s.d.). Como radialista, atuou na Rádio Clube de Varginha MG (1973 a 1975), na Rádio Jornal Sul de Minas, de Bueno Brandão MG (1976 a 1978), e, a partir de 1979, na Rádio Clube de Pouso Alegre MG, comandando o programa Domingão Sertanejo.
Escreveu mais de duas mil músicas ao longo de sua carreira. Tem composições gravadas por Tonico e Tinoco, Sérgio Reis, Chitãozinho e Xororó, Milionário e José Rico, Pedro Bento e Zé da Estrada, Belmonte e Amaraí, e outros.
Em 1995 lançou seu primeiro disco individual, um CD (Brasidisc) com dez canções de sua autoria, todas elas engraçadas, cheias de bom humor.
Como compositor, obteve seus maiores êxitos com Jardim da natureza e Sofá velho (gravadas por Lourenço e Lourival), Jamais terei ilusão, Somente tu e Tu sempre tu (gravadas por Cascatinha e lnhana), Alma aventureira, Cantinho do coração, Galopeira, Obrigado coração (gravadas por Caçula e Marinheiro).
Entre outras, em parceria com Benedito, compôs Teu adeus e Um pouquinho de amor (gravadas por Tibagi e Miltinho); com Tião Carreiro, Aquela ingrata, Encantos da natureza, Quando cai a chuva, Feliz casamento, Lá onde eu moro (todas gravadas pela dupla Tião Carreiro e Pardinho); com Pedro Bento, Casa vazia, Amor proibido, Ternura dos teus beijos; com Muniz Teixeira, Bailinho do sertão, Noite inesquecível, Zero a zero, Último peão; com Jeca Mineiro, Lembranças que o tempo não apaga e Agora tudo bem; com Miltinho, Brotinho encantador, Amar- te-ei eternamente e Teu orgulho.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Inhana

Em 1941 conheceu a dupla Chopp e Cascatinha. Nesse mesmo ano se casou com Cascatinha, formando-se então o Trio Esmeralda, adotando a partir dessa época o nome artístico de Inhana.
Seguiram para o Rio de Janeiro, onde conseguiram fazer um certo sucesso, recebendo vários prêmios nas apresentações em programas de rádio, como o de César Ladeira na Rádio Mayrink Veiga, Manoel Marcelos e Papel Carbono, os dois na Rádio Nacional.
Em 1942 Chopp deixou o grupo, prosseguindo a dupla Cascatinha e Inhana, ingressando a dupla no elenco do Circo Estrela D'Alva, fazendo excurções pelos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Devolta à São Paulo passaram a atuar no Circo Imperial, onde permaneceram por cinco anos.
Em 1947 cantaram pela primeira vez em rádio como dupla, na Bauru Rádio Clube. Em 1950 Cascatinha e Inhana foram contratados pela Rádio Record, onde ficaram por doze anos. Gravaram o primeiro disco em 1951 na gravadora Todamérica, registrando as músicas La paloma (Iradier - Pedro Almeida) e Fronteiriça (José Fortuna).
Em 1952 a dupla gravou os dois maiores sucessos de sua carreira, as guarânias Meu primeiro amor (Lejania) (H. Gimenez - versão: José Fortuna - Pinheirinho Jr.) e Índia (J. A. Flores - M. O. Guerrero - versão: José Fortuna), que a despeito de serem versões de música estrangeira podem ainda assim ser consideradas dois grandes clássicos da MPB, seja pelas gravações de imenso sucesso de Cascatinha e Inhana assim como suas regravações, feitas por grandes nomes como Maria Bethânia e Gal Costa.
Em 1953 a dupla gravou Mulher rendeira (motivo folclórico - arranjos: João de Barro). Em 1955 a dupla participou do filme Carnaval em Lá Maior, de Ademar Gonzaga. Nesse mesmo ano fizeram sucesso com a música Despertar do sertão (Pádua Muniz - Elpídio dos Santos). Outro grande sucesso foi Colcha de retalhos (Raul Torres), gravada em 1959.
Chamados de "Os Sabiás do Sertão", a dupla Cascatinha e Inhana é ainda hoje a mais importante dupla sertaneja da história da MPB, apesar do imenso sucesso popular de duplas surgidas à partir da década de 70. Permaneceram ativos e gravando regularmente até a morte de Inhana, em 1981.
Na década de 90 a gravadora Revivendo lançou uma série de CDs reunindo diversas gravações de Cascatinha & Inhana. Cascatinha ainda lançou um disco solo em 1982, e faleceu em 1986.
Fonte: Cantoras do Brasil: Inhana
Ochelsis Laureano

Foi um dos mais destacados compositores da música caipira de raiz do início do Século XX, tendo feito parte das Caravanas de Cornélio Pires no início dos anos 30, e tendo sido artista na Era do Rádio brasileiro, do final dos Anos 20 até os Anos 50, tendo aí brilhado como compositor, como violeiro, e como intérprete musical, constituindo parcerias famosas nos programas sertanejos das rádios de São Paulo e do Rio de Janeiro:

Sobre a vida de compositor, destaca-se sua criatividade múltipla que, para além da música caipira e da poesia, levou-o, também, a compor músicas sacras, fazer regência de coral e lecionar música, lembrando que Ochelsis fez estudos musicais e de regência coral na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, com Heitor Villa-Lobos. Destaque para o poema “Capim Teimoso”, “Lenço Preto” e “O barranco”, para suas músicas caipiras “Marvada pinga (Moda da pinga)” ( o maior sucesso de Inezita Barroso), “Roseira branca”, “O balão subiu”, “A caçada”, “É mió num casá” e “Meu sertão.
A famosa viola do compositor, com seu nome gravado, e o disco original da primeira gravação de seu maior sucesso musical a “Marvada Pinga”, de 1939, com a dupla Laureano e Mariano encontra-se em poder de sua filha Gláucia Laureano Gomes.
Algumas composições de Laureano
· A Bandeira Do Caboclo (Laureano - Ariowaldo Pires)
· ABC Do Prisineiro (Laureano)· A Caçada (Laureano)
· A Madrugada (Laureano)
· A Morte Do Manuelzinho (Laureano)
· A Mulher E O Relógio (Laureano)
· Agricultura Hoje Tem Seu Lugar (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Amanhecer No Sertão (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Cana-Verde Em Desafio (Laureano - Ariowaldo Pires - Nhá Zefa)
· Cantando No Rádio (Laureano)
· Casamento (Laureano - Soares)
· Casamento Internacional (Laureano)
· Casamento Perdido (Laureano)
· Casando À Bessa (Laureano)
· Chuva de Pedra (Laureano)
· Como Nasceu o Cururu (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Crise (Laureano)
· Deixei De Ser Carreiro (Mariano - Laureano)
· Desafio (Laureano - Soares)
· Desafio Disparatado (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Destinos Iguais (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Em Redor Do Mundo (Irmãos Laureano - Ariowaldo Pires)
· Ensinando A Muié (Laureano)
· Fim De Um Valentão (Laureano)
· Meu Casamento (Laureano)
· Meu Jardim (Laureano)
· Minha Profissão (Laureano)
· Minhas Aventuras (Laureano)
· Moda Da Pinga (Ochelsis Laureano - Raul Torres)
· Moda Das Meias (Irmãos Laureano - Ariowaldo Pires)
· Moda Do Ceguinho (Laureano)
· Moda Do Pito (Laureano)
· Moda Dos Tecelões (Laureano)
· Muié Sapeca (Laureano)
· No Mundo Da Lua (Laureano)
· O Balão Subiu (Laureano)
· O Cavalo E O Boi (Laureano)
· O Cravo (Laureano)
· O Crime Do Restaurante Chinês (Laureano)
· O Diabo E O Mundo (Laureano)
· O Jogo Do Truco (Laureano)
· O Que Eu Vejo (Laureano)
· O Sonho Do Matuto (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Patrões E Operários (Laureano)
· Repicando A Viola (Laureano)
· Revolta De São Paulo (Laureano)
· Roseira Branca (Laureano)
· Saudades de Sorocaba (Laureano)
· Situação Dos Homens (Laureano)
· Uma Carta Atrapalhada (Laureano)
· Um Retrato (Laureano)
· Valentia de Voluntário (Laureano)
Fonte: biografia e fotos gentilmente enviadas por Nicc Nilson
Marinês

Aos 10 anos de idade começou a participar de programas de calouros, tendo chegado a competir num deles, com o também ainda menino Genival Lacerda. Foi casada com o sanfoneiro e produtor Abdias, com quem se casou aos 14 anos.
Depois de premiada com um sabonete numa retreta de rua, espécie de concurso de calouros ao ar livre, no bairro da Liberdade, onde morava, resolveu inscrever-se num programa de calouros na rádio local e, para fugir da vigilância dos pais, acrescentou o Maria ao seu nome. Ao ser anunciada no concurso, o locutor acabou por chamá-la de Marinês, e ela, gostando, adotou o nome artístico.
Em 1949 formou com o marido Abdias o Casal da Alegria. Em seguida, o casal juntou-se ao zabumbeiro Cacau e formou um trio. Este trio, no começo dos anos 50, passou a atuar como a Patrulha de Choque do Rei do Baião, especializada em realizar apresentações nas praças das cidades onde Luiz Gonzaga iria tocar, interpretando músicas do seu repertório, anunciando sua chegada nas cidades do interior do Nordeste, num trabalho feito espontaneamente.
Seu encontro com o Rei do Baião deu-se na cidade de Propriá, em Sergipe, apresentados pelo prefeito da cidade, Pedro Chaves. Na mesma noite do dia em que se conheceram, fizeram um show juntos. Com o apoio de Luiz Gonzaga, que lhe ensinou o xaxado, a carreira de Marinês ganhou impulso, sendo então batizada de A Rainha do Xaxado.
Gravou seu primeiro disco em 1956, lançado no ano seguinte pela Sinter, apresentando-se como Marinês e sua Gente. Gravou na ocasião, a quadrilha Quadrilha é bom, de Zé Dantas e o xaxado Quero ver xaxar, de João do Vale, Antonio Correia e Leopoldo Silveira Junior.
Em 1957, gravou dois grandes sucessos, os xotes Peba na pimenta, de João do Vale, José Batista e Adelino Rivera e Pisa na fulô, de João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Jr., que foram posteriormente regravados por inúmeros artistas. No mesmo ano, lançou o xaxado Xaxado da Paraíba, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes e o xote O arraiá do Tibiri, de João do Vale e Silveira Jr. Ainda nessa época, a convite de Luiz Gonzaga, vão para o Rio de Janeiro, onde se apresentaram no programa Caleidoscópio, na Rádio Tupi.
Em 1958, gravou de Rosil Cavalcanti os baiões Aquarela nordestina e Saudade de Campina Grande. Gravou ainda, de Gordurinha e Wilson de Morais, o baião Perigo de morte. No mesmo ano participou do filme Rico ri à toa, de Roberto Faria. Em 1959, gravou de Antônio Barros e Silveira Jr. o baião Velho ditado e o xote Marieta.
Em 1960, gravou da mesma dupla o baião Mais um pau-de-arara e o chótis Balanço da saudade. No mesmo ano, transferiu-se para a RCA Victor, onde lançou, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes, o xote Viúva nova e, de Onildo Almeida, o xaxado História de Lampeão. Gravou ainda, de Zé Dantas e Joaquim Lima, a polca Chegou São João. No mesmo ano recebeu o troféu Euterpe no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, como a melhor cantora regional.
Em 1961, gravou os cocos Gírias do Norte, de Jacinto Silva e Onildo Almeida e Cadê o Peba, de Zé Dantas. No mesmo ano, gravou a moda de roda Marinheiro, de motivo popular com arranjos de Onildo Almeida e o coco de roda No terreiro da Usina, de Zé Dantas. Gravou ainda o LP Outra vez Marinês, que lhe rendeu um segundo troféu Euterpe, além de ter obtido o prêmio de melhor vendagem.
Em 1962, gravou, de Onildo Almeida, as modas de roda Siriri, sirirá e Meu beija-flor. No mesmo ano, gravou de João do Vale e José Batista o xote Xote de Pirira e de João do Vale e Oscar Moss o coco Gavião.
Em 1963, gravou as modas de roda Balanceio da usina, de Abdias Filho e João do Vale, e Pisei no liro, de Juvenal Lopes. No mesmo ano, gravou, de João do Vale e B. de Aquino, o xote Xote melubico e o baião Macaco véio.
Em 1984 apresentou-se em diversos shows em teatros da periferia do Rio de Janeiro dentro do projeto Pixinguinha, além de fazer participações especiais em discos do conjunto The Fevers e de Zé Ramalho.
Em 1986, lançou o LP Marinês e sua Gente - Tô chegando, com a participação especial de Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jorge de Altinho. Com Luiz Gonzaga, interpretou Tá virando emprego, de Luiz Gonzaga e João Silva, com Dominguinhos, Agarradinho, de Michael Sullivan e Paulo Massadas, com Gilberto Gil, Doida por uma folia, do próprio Gil e Quatro cravos, de Jarbas Mariz e Cátia de França, e com Jorge de Altinho, Jeito manhoso, de Nando Cordel.
Em 1987, gravou pela RCA Victor o LP Balaio de paixão, interpretando, entre outras, as composições Tô doida pra provar do teu amor, de Nando Cordel, Fulô da goiabeira, de Anastácia e Liane, Novinho no leite, de Nando Cordel e Feitiço, de Jorge de Altinho.
Em 1988 estreou na Continental com o disco Feito com amor, onde regravou sucessos dedicados à festas juninas. Recebeu discos de ouro com A dama do Nordeste e Bate coração.
Gravou diversas músicas consideradas apimentadas e que mexeram com a moral da época, como Peba na pimenta e Pisa na fulô, de João do Vale, Cadarço de sapato, Xote da Pipira e Viúva nova, entre outras. Devido a essas gravações, chegou a ter problemas com os meios católicos do país, tendo ocorrido casos de padres que durante as missas pediam aos fiéis para não comprarem seus discos, como foi o caso de Peba na pimenta.
Com a separação do marido e produtor Abdias, ficou alguns anos sem gravar; ainda sim, lançou cerca de 30 discos, entre 78 rpm, LPs e CDs. Dentre os seus LPs, estão Nordeste valente, Balaiando e Cantando pra valer.
Em 1995, lançou o CD Marinês cidadã do mundo. Ainda nos anos 1990, participou do disco de forró lançado por Raimundo Fagner. Em 1998, com produção da cantora Elba Ramalho, lançou pela BMG o CD Marinês e sua Gente, contando com a participação de importantes nomes da Música Popular Brasileira contemporânea, quase todos do Nordeste. Uma das faixas de destaque é o dueto com Alceu Valença em Pelas ruas que andei, do cantor e compositor pernambucano.
No mesmo ano, a Copacabana/EMI lançou uma coletânea de seus sucessos remasterizados na série Raízes Nordestinas. Foi a primeira mulher a formar um grupo de forró. Em 2000 teve CD lançado pela BMG dentro da série Eu só quero um forró, no qual contou com as participações especiais de Gilberto Gil na música Quatro cravos e Alceu Valença em Pelas ruas que andei.
Faleceu em 2007, vítima de um acidente vascular cerebral que foi acometida um mês antes de sua morte.
Fonte: Cantoras do Brasil.
Carreirinho

Em 1946 estreou profissionalmente ao lado de Ferraz, atuando nos circos que passavam pela cidade de Sorocaba SP. Seguiu depois para São Paulo SP, onde se apresentou na Rádio América. Mais tarde, transferiu-se para a Rádio Record, ali atuando com novo parceiro, o investigador de polícia José Stramandinoli (Zé Pinhão), com quem formou a dupla Zé Pinhão e Pinheiro, que passou a participar do programa Sítio do Bicho-de-Pé até 1947, ano em que se separaram.
Nessa época, propôs parceria a Lúcio Rodrigues, que cantava com Fortaleza. Formaram então uma dupla cujo nome foi escolhido em concurso popular entre os ouvintes da Rádio Record: Zé Carreiro(Lúcio) e Carreirinho (Adauto).
Em 1950 Tonico e Tinoco, que eram contratados da Continental, se interessaram pelo cururu O canoeiro (Zé Carreiro), música que vinha marcando as apresentações da dupla iniciante. Mediante acordo com o diretor da gravadora, consentiram na gravação de Tonico e Tinoco, conseguindo em troca gravar o primeiro disco, com O canoeiro e Ferreirinha (de sua autoria). O sucesso desse lançamento levou a fábrica a contratá-los.
Seis anos depois, a dupla lançou, pela Copacabana, Crianças do meu Brasil (com José Fortuna) e Jamais seremos esquecidos (de autoria da dupla), e, no ano seguinte, pela Victor, Sinhá Maria, versão sertaneja da composição de René Bittencourt do mesmo nome, e Buquê de flor (da dupla).
Em 1958, depois de dez anos de atuação na Rádio Record e de gravar diversos discos, Zé Carreiro teve de se afastar da vida artística por surdez. Formou, então, com José Dias Nunes, nova dupla, Tião Carreiro e Carreirinho, que gravou em 1958, pela Continental, Rei do gado (Teddy Vieira), Mariposa do amor (Canhotinho e Torrinha), Pirangueiro e Saudade de Araraquara (ambas de Zé Carreiro), e Despedida de solteiro (com Zé Fortuna). Depois a dupla gravou pela RCA algumas composições de gênero mais sentimental, com Madalena, O beijo (ambas de sua autoria) e Esqueça a sua Maria (Raul Torres e João Pacífico).
Em 1962 lançou, com Zé Carreiro, pelo selo sertanejo da Chantecler Meu carro e minha viola (com Mozart Novais), faixa que deu nome ao LP, Boi cigano (Tião Carreiro e Pião Carreiro) e Terra roxa (Teddy Vieira), entre outras. No mesmo ano, apareceu num LP lançado pela Chantecler em homenagem à antiga dupla com Zé Carreiro, relembrando sucessos como Canoeiro, Ferreirinha e Pirangueiro (Zé Carreiro).
Afastando-se de São Paulo, só voltou a gravar mais tarde, com sua nova parceira na dupla Carreirinho e Zita Carreiro (Iracema Soares Gama), que lançou pela Continental, no selo Cartaz, Flor de minha vida (com Zé Matão), Saudade (com Caboclo), Encontro fatal (com J. Vicente), Vem meu amor (com J. Vasco) e Mundo vazio (com Pardinho).
Em 1974, a nova dupla gravou na Chantecler um pot-pourri intitulado Recordando Zé Carreiro, além de outras músicas, como Deus é meu guia (com Zuza), Saudade do nosso amor (Teddy Vieira e Tião Carreiro), Rincão de nossa terra (sua autoria), Cão fiel (Zé Godói e Biguá), Tormento da noite (Cafezinho e Nhô Juca). No ano seguinte, a dupla gravou na Carmona, Formigueiro de gente e Policena, além de Palhaço (com Miguel Santiago), em homenagem aos palhaços.
Em 1979 a Secretaria de Cultura da prefeitura de São Paulo homenageou a dupla com uma festa realizada no ginásio de esportes do Sport Club Corinthians Paulista; em 1980, em Curitiba PR, receberam uma placa de Honra ao Mérito dos artistas paranaenses.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977. 3p.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Alberto Calçada
Alberto Calçada |
Alberto Calçada (Alberto de Sousa Calçada), compositor e instrumentista, nasceu em São Paulo, SP, em 6/8/1929, e faleceu na mesma cidade, em 29/7/1983.
Aos 12 anos de idade, ganhou um acordeom e, sem nunca ter estudado, imediatamente tocou uma valsa famosa na época, Manolita.
Em 1942 formou com as irmãs, que cantavam, o conjunto Irmãos Calçada, que passou a se apresentar com regularidade nos programas Clube Papai Noel e Festa na Roça, da Rádio Difusora, e Escola Risonha e Franca, da Rádio Record.
Em 1946 mudou-se com a família para Araguari MG e, no ano seguinte, formou com o mineiro Sebastião Alves da Cunha e o irmão deste, Elias, o Trio Sabiá-Canarinho-Albertinho, que atuou na rádio local até 1950.
Nesse ano, os três transferiram-se para São Paulo, onde se apresentaram em programas de rádio como Arraial da Curva Torta, do Capitão Furtado, na Rádio Difusora. Desfeito o trio, passou a integrar uma empresa de espetáculos pertencente a Sertãozinho (Celso Rodrigues), apresentando-se em circos ao lado de artistas como Tonico e Tinoco, Paraguassu, Zé Fidélis e outros.
Em 1954 participou de várias gravações de sucesso de dupla Palmeira e Biá, como Milagre de Tambaú (Palmeira e Teddy Vieira) e Boneca cobiçada (Biá e Bolinha).
Em 1955 gravou seu primeiro disco individual, com Aí que tá, de sua autoria. Em 1958, a recém-criada gravadora Chantecler — cujo nome foi sugerido pelo próprio Calçada — lançou o primeiro LP do compositor, Cascata de valsas. Nessa época, fazia um programa semanal na Record, com Palmeira e Biá, além de outro só seu, apresentado por Vicente Leporace. Também fazia parte da maioria das gravações da Chantecler, onde trabalhou por muitos anos como técnico de gravação.
A partir de 1960, abandonou aos poucos a vida artística. Gravou uma centena de discos 78 rpm e mais de 50 LPs, tocando principalmente valsas e serestas. Entre suas composições destacam-se Condenado (com Palmeira), gravada por Palmeira e Biá; O céu chorou por mim (com Haroldo José); Água-benta (com Miltinho Rodrigues); e Regresso (com Dino Franco), gravada por Tibagi e Miltinho, em 1970.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira.
Caçula e Marinheiro
Caçula e Marinheiro - Dupla sertaneja formada por Orlando Biachi (São José do Rio Preto SP 1934—) e Benedito Brás dos Reis (Piracanjuba GO 1929—). Orlando (Caçula), aos sete anos, apresentou-se na Rádio Rio Preto, tocando sanfona.
Em 1954 gravou seu primeiro disco pela Star, da Copacabana, com duas composições dos Irmãos Sousa, Ducelina e Sertão do Rio Preto. Na mesma época, encontrou João Isidoro Pereira, o Zé do Rancho, que fazia dupla com Euclides Pereira Rangel, o Bolinha. Resolveram formar um trio em 1955, em São José do Rio Preto, em que Caçula também cantava.
No ano seguinte, visitando a Rádio bandeirantes de São Paulo SP, Orlando conheceu Benedito (Marinheiro), que formava, com Cândido de Paula Brasão, a dupla Brasão e Marinheiro. Ali mesmo, Caçula e Marinheiro resolveram cantar juntos e agradaram. A nova dupla passou a se apresentar no programa Alvorada Cabocla, de Nhô Zé, na Rádio Nacional, ganhando popularidade.
Em 1958 lançou seu primeiro disco, pela Chantecler, com duas composições de sua autoria, Destino de um boêmio e Não chores assim. Mais tarde, a dupla passou a atuar no Circo Irmãos Martins, onde Marinheiro formou um duo com a filha do proprietário, Clarinda Martins (sendo acompanhados por Caçula ao acordeão): casados, foram contratados por dois anos pela RCA, onde gravaram os grandes sucessos de autoria de Caçula e Marinheiro, Tu voltarás e Eu quero vingar-me. Onze dias após a gravação, porém, Clarinda adoeceu, vindo a falecer pouco depois. Marinheiro escreveu então várias letras em homenagem à esposa, que depois foram musicadas.
Caçula também compôs músicas no gênero e os dois novamente em dupla gravaram em 1967 um LP pela RCA-Candem reunindo esses números sentimentais, que obtiveram grande sucesso, como Aquele dia tão triste (Marinheiro, Hélio Ferreira e Eurípides Nunes Gouveia), Onde estás, meu amor? e Pertinho de Deus (ambas de sua autoria).
Dois anos depois, a dupla lançou na RCA Milagre de Papai Noel (com Nelson Gomes) e Noite de espera (Marinheiro e Riccieri Faccioli) e em 1973, dando continuidade ao gênero sentimental com que se consagrou, a dupla gravou com sucesso Caminho do céu, música de Everaldo Ferraz para versos de Piquerobi (Madalena Maria Pires), em que é contada a felicidade do segundo casamento de Marinheiro.
Dentro do mesmo estilo, a dupla lançou novo LP em 1974, com o Grande milagre (Milton Rodrigues) e as composições de Everaldo Ferraz e Piquerobi Rei da humildade, Eu me comparo a Jesus e Bença mãe, bença pai.
No ano seguinte, a dupla gravou outro LP, em que se destacaram Martírio de dor (Everaldo Ferraz e Marinheiro), Adeus, amor (Caçula e Alceu) e Me leve com você (Everaldo Ferraz e Neusinha).
CD
Caçula e Marinheiro, 1994, Continental 996794-2.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.
Cacique e Pajé
Cacique e Pajé - Dupla sertaneja formada por Antônio Borges de Alvarenga (Monte Aprazível SP 1935—), o Cacique, e Roque Pereira Paiva (Bocete SP 1936—São Paulo SP 1994), o Pajé.
Antônio iniciou carreira em 1968, formando várias duplas, com outros nomes artísticos: Peixoto e Peixinho (João Rodrigues), que gravou pela Centenário um compacto duplo com Violeiro franco (da dupla); Peão Campeiro e Rei do Gado (Antônio), que gravou em 1970 um LP na Califórnia com destaque para Arrependida (Garcia e Zé Matão); João Ferreira e Rei do Gado, que gravou em 1971 na Fermata; João Ferreira e Ferreirinho (Antônio), nome adotado para não confundir com a antiga dupla João Ferreira e Ferreirinha.
Em 1977, já com o parceiro Roque, mas com o nome artístico de Rei do Gado (Antônio) e Boiadeiro (Roque) — e o pseudônimo de Índios Caiapós — gravou pela etiqueta Sonora um LP, cujo destaque foi Rancho quarto de milha.
Em 1978, a dupla se oficializou como Cacique e Pajé, gravando o primeiro LP na Chantecler, com Pescador e catireiro (Cacique e Carreirinho).
Em 1979 lançaram o segundo LP, destacando-se Caçando e pescando (Cacique e Tangará) e Deixa o índio em paz (Cacique e Capitão Furtado) e, no ano seguinte, saiu o terceiro, com destaque para Poemas das cordas (Paulo Gaúcho e Zé Raimundo), todos os três com o nome de Cacique e Pajé.
Em 1981 lançaram o LP Os índios e a viola, com realce para Mosca branca (Cacique e Jesus Belmiro); em 1982, lançaram o quinto LP, cuja música-título e destaque foi As flores e animais (Paraíso e José Fortuna).
Em 1983 sairam o sexto e o sétimo LPs: Cadê o gato, salientando-se a música-título, de autoria da dupla, e O sertão, com destaque para Viola no samba (Rei do Mar e Cacique).
O oitavo LP saiu em 1985, sobressaindo-se a música-título Peão sabido (Cacique e Nhô Véio). No mesmo ano, Pajé adoeceu, e a dupla só voltou a gravar em 1989, na RGE, destacando-se então Inquilina de violeiro (Cacique, João Gonçalves e Thomaz).
Em 1994, Pajé faleceu em São Paulo. Em 1995, Cachoeira (José Pereira de Sousa), violeiro conceituado, assumiu o lugar de Pajé na gravação de um LP, etiqueta Disco de Ouro, com destaque de Barreto não faz feio (Cacique, Lourival dos Santos e João Macedo).
CD
O som da terra, 1994, Continental 450998364-2.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Nhô Pai
João Alves dos Santos, o Nhô Pai, nasceu em Paraguaçu Paulista, SP, no dia 28 de março de 1912 e faleceu também na cidade Paraguaçu, no dia 12 de março de 1988
O compositor do corrido Beijinho doce foi lançado por Ariovaldo Pires (o Capitão Furtado) e, como intérprete, formou duplas com seu compadre Nhô Fio, sua prima Nhá Fia e também com sua irmã Nhá Zefa. Também chegou a cantar juntamente com Tonico, da dupla Tonico e Tinoco.
Nitidamente influenciado pela música paraguaia, Nhô Pai fez bastante sucesso nos anos 40 e 50 interpretando vários rasqueados. Em 1943, cruzando pastos em carros de boi, viajando em caminhões de mudança, Nhô Pai excursionou pelo interior paulista, pela região do Triângulo Mineiro e pelos estados de Mato Grosso e Goiás, juntamente com o Capitão Furtado, Nhá Fia e Mário Zan. Apresentaram-se em diversos lugares incluindo cinemas, salões de igrejas e pracinhas.
Já tendo cantado em dupla com Nhô Fio e Nhá Zefa, Nhô Pai formou em 1942 uma dupla com João Salvador Peres, o Tonico da dupla Tonico e Tinoco. Intrepretaram o rasqueado Casinha de Carandá (Nhô Pai) e a valsa Gauchita (Zé Mané). No mesmo ano, Nhô Pai também gravou com Nhô Fio a moda de viola O Brasil entrou na Guerra de Nhô Pai e Ariowaldo Pires, além do rasqueado Fronteira de Nhô Pai e Edgard Cardoso.
Outro fato curioso se deu em 1944, quando Nhô Pai compôs e gravou juntamente com Nhô Fio o desafio Corinthians x São Paulo (Nhô Pai/ Nhô Fio), incluindo o futebol, tema caracteristicamente urbano como assunto também na música caipira.
Como compositor, seu maior sucesso foi sem sombras de dúvida o corrido Beijinho doce, gravado pela primeira vez em 1945 pelas Irmãs Castro e posteriormente pelas Irmãs Galvão. Essa música se tornou um dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira, tendo sido incluída também no filme Aviso Aos Navegantes de 1951.
Esse famoso corrido foi gravado também em diferentes ritmos, tais como valsa (por Adelaide Chiozzo e Eliana) e Baião (por André Penazzi). Mas foi em 1976 que Beijinho doce voltou a ser novamente um grande sucesso quando foi gravado por Nalva Aguiar, que até então atuava predominantemente nos ritmos da Jovem Guarda. Segundo algumas opniões tal gravação estabeleceu um "segundo marco" na migração de intérpretes da Jovem Guarda para a música Sertaneja, a exemplo de Sérgio Reis, quando da sua gravação de O menino da porteira (Teddy Vieira / Luizinho) em 1973.
Nhô Pai deixou um expressivo repertório de composições em nossa música caipira, tendo tido diversos parceiros como Riellinho, Ariovaldo Pires, Piraci, Ado Benatti, Nalva Aguiar, Sulino, Mario Zan e Raul Torres, além dos já citados Nhô Fio e Nhá Zefa.
Fonte: www.boamusicaricardinho.com
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Teixeirinha, o Gaúcho Coração do Rio Grande
Vítor Mateus Teixeira, cantor e compositor, o Teixeirinha, nasceu em Rolante RS (3/3/1927) e faleceu em Porto Alegre RS (4/12/1985). Filho de carreteiro, tinha seis anos de idade quando o pai morreu. Três anos depois perdeu a mãe, vítima de um incêndio, e passou a sustentar-se fazendo biscates como entregador e vendedor ambulante.
Lançou-se artisticamente em circos e emissoras gaúchas do interior do Estado, apresentando-se depois em Porto Alegre RS, onde começou a obter popularidade cantando em churrascarias e programas folclóricos, acompanhando-se ao violão.
Fazendo programa na emissora de Passo Fundo RS, recebeu convite para gravar em São Paulo SP, estreando na Chantecler em 1959 como intérprete e autor de Xote Soledade e Briga de batizado.
Os primeiros discos não alcançaram repercussão, mas em 1961 tornou-se sucesso nacional com o lançamento de Coração de luto, toada em que narrava a morte da mãe, gravada em disco Copacabana. No mesmo ano, excursionando por cidades gaúchas, conheceu em Bagé a menina Mary Teresinha, acordeonista e cantora na rádio local, que se tornou sua acompanhante efetiva.
Obtendo enorme popularidade como autor e intérprete de um gênero misto de regionalista e sertanejo dirigido a um público bastante específico, passou a atuar no cinema, produzindo cinco filmes, dos quais foi também o argumentista e o ator principal: o primeiro foi o autobiográfico Coração de luto, de 1966, dirigido por Eduardo Llorenti, seguindo-se Motorista sem limites (1969) e Teixeirinha a sete provas (1972), ambos de Milton Barragan, e Ela tornou-se freira (1971) e Pobre João (1974), estes com direção de Pereira Dias.
Com mais de 40 LPs gravados, comandou na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, os programas Teixeirinha Canta para o Povo do Brasil e Teixeirinha Amanhece Cantando. Um dos líderes nacionais em vendagem de discos, sua vida foi até transformada em história em quadrinhos. Morreu no dia em que lançaria seu 119°disco, o LP Amor aos passarinhos.
Ao longo de 27 anos de carreira, compôs mais de 700 músicas, ganhou 13 discos de ouro no Brasil e um Galo de Ouro em Portugal. Em 1995, por ocasião dos dez anos de sua morte, foi homenageado em Porto Alegre com uma série de eventos.
Algumas músicas:
Veja também:
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
Pedro Raimundo
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O grande catarinense Pedro Raimundo |
Pedro Raimundo, compositor, cantor e instrumentista, nasceu em Imaruí (SC) em 29/6/1906, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 9/7/1973. Filho do pescador e sanfoneiro João Felisberto Raimundo, começou a tocar sanfona aos oito anos.
Mais tarde integrou, em sua cidade, a banda Amor à Ordem, além de se apresentar em festinhas. Foi pescador até os 17 anos, quando passou a trabalhar na construção da Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto( SC).
Casado desde 1926, morou em Lauro Muller, Blumenau e Laguna (SC), fixando-se em Porto Alegre (RS) em 1929. Na capital gaúcha foi condutor de bondes e inspetor de tráfego, tocando sanfona em cafés do Mercado, nas horas de folga.
Em 1939 foi chamado a trabalhar na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, onde organizou o Quarteto dos Tauras. Em 1942 excursionou pelo interior do Rio Grande do Sul e no ano seguinte foi ao Rio de Janeiro, onde se apresentou no Show Muraro, da Rádio Mayrink Veiga, e em programas da Rádio Tupi.
Em seguida Almirante o levou para a Rádio Nacional. Contratado pela emissora, transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro, lançando ainda em 1943, pela Columbia, seu primeiro disco, com o choro Tico-tico no terreiro e o xótis Adeus Mariana (ambos de sua autoria).
Sua descontração e exuberância valeram-lhe o slogan de O gaúcho alegre do rádio: alternava, em suas apresentações, músicas alegres com outras sentimentais. Foi o primeiro artista típico gaúcho a alcançar fama nacional. Apresentava-se com bombachas, lenço no pescoço, botas, esporas, chapéu e guaiaca. Percebendo a aceitação do seu traje regional, Luiz Gonzaga sentiu-se estimulado a apresentar-se como sertanejo nordestino.
Atuou nos filmes Uma luz na estrada, de Alberto Pieralise, em 1949, e Natureza gaúcha, de Rafael Mancini, em 1958.
Obra
Adeus, Mariana, xótis, 1943; Adeus, moçada, polca, 1944; Chico da roda, chorinho, 1947; Escadaria, choro, 1944; Gaúcho largado, toada, 1944; Mágoas de amor, tango, 1945; Meu coração te fala, valsa, 1945; Na casa do Zé Bedeu, polquinha, 1947; Oriental, baião, 1954; Prece, tango, 1950; Sanfoninha, velha amiga, polca, 1961; Saudade de Laguna, valsa, 1943; Se Deus quiser, xótis, 1943; Tá tudo errado (c/Jeová Rodrigues Portela.); polca, 1948; Tico-tico no terreiro, choro, 1943.
Músicas:
Veja também:
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
Gaúcho da Fronteira
Gaúcho da Fronteira (Heber Artigas Fróis), compositor e instrumentista, nasceu em Santana do Livramento-RS, em 23/6/ 1947. Aos sete anos de idade, iniciou-se na gaita de botão com quatro baixos; aos nove, já tocava acordeom, bandoneom e violão.
Foi motorista de táxi e de caminhão até 1968, quando ingressou no conjunto Os Vaqueanos, com o qual trabalharia oito anos e gravaria dois discos. Em 1975 gravou pela Beverly seu primeiro LP individual, Gaúcho da Fronteira, consolidando o apelido pelo qual já era conhecido.
Em 1979 mudou-se para Porto Alegre-RS e foi convidado pela gravadora WEA para inaugurar o selo Rodeio com Meu rasto, seu terceiro LP individual, que incluiu seu maior sucesso, o vanerão Nhecovari Nhecofum.
Representante da cultura e das tradições do Rio Grande do Sul, conquistou popularidade em todo o Brasil com sua música bem-humorada, que mistura os ritmos sulinos ao samba, forró, country e até rock.
Em 1989 foi uma das atrações do 1 Festival Internacional de Música Country, apresentando-se em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Belo Horizonte. Em seus 30 anos de carreira, gravou, entre outros, os discos:
Gaita companheira (1982, WEA/Rodeio), O toque do gaiteiro (1987, WEA), Gaitaço (1990, Continental/Chantecler), Gaúcho negro (1991, Som Livre), Tão pedindo um vanerão (1994, Chantecler), Amizade de gaiteiro (1996).
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Elpídio dos Santos
Elpídio dos Santos (São Luís do Paraitinga, SP 14/01/1909 — idem 03/09/1970), compositor, escultor e poeta, nasceu em uma família de músicos e artesãos. Durante a infância participou de uma banda regida pelo pai e, autodidata, aperfeiçoou-se no violão, compondo suas primeiras músicas.
Foi para São Paulo onde estudou no Conservatório Paulista de Canto Orfeônico. Escolheu o violão como instrumento que o acompanharia por toda a vida. Foi professor de música, autor de uma extensa obra com inúmeros sucessos gravados por artistas como Almir Sater e Sérgio Reis, Fafá de Belém, Vanuza, Cascatinha e Inhana, Renato Teixeira entre outros.
No cinema foi o compositor preferido de Amácio Mazzaropi, criando 25 trilhas para filmes do cineasta.
Suas músicas fizeram parte da trilha sonora das novelas: Cabocla (Rede Globo), Rei do Gado (Rede Globo), Pantanal (TV Manchete/SBT) e Meu Pé de Laranja Lima (Band).
Embora seja conhecido como compositor de música caipira, sua obra conta com vários gêneros musicais como valsa, samba, choro, etc.
Em 1952 grava a primeira canção (A cruz de ferro) em parceria com os amigos e compositores Anacleto Rosa Junior e Patativa, contando a lenda da cruz de ferro em Ubatuba.
Logo depois, em 1955, a gravadora Toda América lança mais uma composição de Elpídio dos Santos: Despertar do Sertão, interpretada por Cascatinha e Inhana, uma conhecida dupla da música popular na época e que foi a primeira canção brasileira tocada na rádio BBC de Londres.
Novamente sua música é tocada nas rádios, seu nome começa então a ser citado nos jornais da época e a partir dali uma série de composições são gravadas por vários interpretes diferentes, entre eles: Amilton, Cascatinha Inhana, Dircinha Costa, Duo Brasil Moreno, Elza Laranjeira, Irmãs Galvão, José Tobias, Laurinha, Mary do Arte, Mazzaropi, Mires de Oliveira, Nei de Fraga, Pinheirinho, Titulares do Ritmo, e recentemente foi gravado por Renato Teixeira, Almir Sater, Fafá de Belém e Sérgio Reis, entre outros.
Esses intérpretes tornaram conhecidas as músicas como: Você vai gostar (Lá no pé da serra); A mulher do canoeiro; Chegadinho chegadinho; Lua na roça; Bandinha do interior; Despertar do Sertão (primeira música brasileira tocada na rádio BBC de Londres); Milagre de São Benedito; Desce a noite; Não sei chorar; Cai sereno; Velho moinho; Namoro antigo; entre outras.
A amizade com Mazzaropi
Elpídio era o compositor preferido de Amácio Mazzaropi, sempre convidado para criar as músicas específicas de cada filme e que seriam cantadas pelo próprio artista. A amizade surgiu quando Mazza veio para a região com um circo quadrado bem velho e chovia muito.
Procuraram o Elpídio e disseram que este homem estava a perigo e não tinha dinheiro para pagar músicos. Então Elpídio foi ajudá-lo e disse-lhe que tocaria sem cobrar nada. Mazza nunca esqueceu e reconheceu o talento de Elpídio. Assim surgiu uma grande parceria e amizade que duraria até o fim da vida de Elpídio dos Santos.
Em 1970 Elpídio dos Santos morre. No ano subsequente, Amácio Mazzaropi retorna à casa de Cinira para fazer um apelo: que um de seus jovens filhos tentasse fazer a música para seu novo filme e não deixassem assim, cessar aquela parceria.
Passados alguns anos, Amácio Mazzaropi grava a música “Despertar do Sertão” e a parceria com o velho amigo continua mesmo após sua morte.
Ao todo foram vinte e cinco canções de Elpídio dos Santos gravadas por Amácio Mazzaropi.
Elpídio deixou uma extensa obra composta de mais de mil músicas, várias peças de escultura, poemas e desenhos.
Fontes: Wikipédia; Museu Mazzaropi: Biografia de Elpidio dos Santos; Elpídio dos Santos - 100 anos; Terra Paulista: Artes: Música: Cantores e Compositores.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Despertar do Sertão
Despertar do Sertão (canção, 1955) - Elpídio dos Santos e Pádua Muniz
A barulheira incessante da cascata
Um sabiá cantando alegre lá na mata
O sol que nasce por de trás do verde monte
Unindo a terra com o céu, no horizonte
A natureza sempre alegre e tão festiva
Num prazer ruidoso, comunicativa
O arvoredo com a música dos ninhos
Forma um poema à beira dos caminhos.
Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai,
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai,
Bom dia irmão!
Já é manhã, as aves enamoradas
Falam de amores no alto das ramadas
O caboclo, ligeiro deixa a palhoça
Pega na enxada e vai cuidar da sua roça
A caboclinha tão bonita, um coração
Corre toda aflita cuidar da criação
Tudo se agita em doce harmonia
Assim no meu sertão começa um novo dia.
Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai
Bom dia irmão!
A barulheira incessante da cascata
Um sabiá cantando alegre lá na mata
O sol que nasce por de trás do verde monte
Unindo a terra com o céu, no horizonte
A natureza sempre alegre e tão festiva
Num prazer ruidoso, comunicativa
O arvoredo com a música dos ninhos
Forma um poema à beira dos caminhos.
Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai,
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai,
Bom dia irmão!
Já é manhã, as aves enamoradas
Falam de amores no alto das ramadas
O caboclo, ligeiro deixa a palhoça
Pega na enxada e vai cuidar da sua roça
A caboclinha tão bonita, um coração
Corre toda aflita cuidar da criação
Tudo se agita em doce harmonia
Assim no meu sertão começa um novo dia.
Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai
Bom dia irmão!
Galanteios e milongagens
Galanteios e milongagens
Fontes: Jangada Brasil / (Lopes Neto, João Simões. Cancioneiro gaúcho, p.111-115).
1 Tua carinha mimosa, Teu corpinho delicado Os teus olhos feiticeiros Me trazem abichornado. 2 Neste capão tem um bicho Que se chama solidão Junto dele mora um anjo Que roubou meu coração. 3 Lá no arroio está chovendo, No capão está trovejando Por via daquela ingrata, Meu coração está penando. 4 Toda volta dos arroios Procura o seu natural; Não sei que voltas darei Que tu não leves a mal 5 Eu pedi a uma morena Que me desse uma boquinha A chinoca respondeu: - Esta boca não é minha 6 Um beijo, quando é bem dado, Daqueles que eu dava e dou, Faz uma amante dizer: — Mais outro, que esse mermou. 7 Touro xucro e cupinudo, Sozinho tenho matado; Só não pude inda vencer Quem me traz todo enredado. 8 Quando estou longe de ti E dói-me a separação, Começo logo a berrar Como um terneiro mamão. 9 Quando passas nas coxilhas, As ancas se boleando, Até as folhas ,e flores Vão todas se requebrando. 10 O veado quando corre Deita a orelha e vai pulando; Meu amor, quando me enxerga, Vem toda se requebrando 11 Assim que te vi, chinoca, Fiquei te querendo bem, E ando de boca fechada, Sem dizer nada a ninguém. 12 A açucena quando nasce Toma conta do jardim; Também eu ando campeando Quem tome conta de mim. 13 Adeus, meus amados pagos Lugar onde eu passeava, Vivia alegre e contente Quando com meu bem estava. 14 Estou me lembrando agora Dos pagos do meu rincão; Amores que foram meus, Agora de quem serão? 15 As correntezas do rio Torcem os paus da balsa; Tu também és inconstante E, como as águas, és falsa. 16 Papagaio, pena verde, Dos encontros cobrados; Meu amor, diz se me queres, Não me tragas enganado. 17 Andorinha do coqueiro, Dá-me novas do meu bem, Diz-me se é vivo ou morto, Se está nos braços de alguém. 18 Em cima daquele cerro Tem uma sela dourada Para assentar meu amor Com divisa cobrada. 19 Eu vivo tão preso ao laço Do amor, que tu me atiras, Que me parecem teus braços Palanques de guajuvira! 20 Quando eu vim de lá de fora, Oito dias de viagem; Trocar um amor por outro? Eu não tenho essa coragem. 21 És branca como jasmim, Cobrada como a rosa; Por teu amor eu daria Minha terneira barrosa. 22 No oco de uma figueira Achei um ninho de anu; Para negar o que fazes, Ninguém melhor do que tu. 23 O aguapé da Lagoa Floresce da cor do luto; Se é por ti que ando chorando, Como tens o rosto enxuto? 24 Tenho o meu laço de fita E as minhas bolas de prata; Pois nem assim eu pealo O coração desta ingrata. 25 Já não ando enrabichado, Não arrasto o meu cambão; Aos bamburrais da tristeza Foi-se o pobre coração.
Fontes: Jangada Brasil / (Lopes Neto, João Simões. Cancioneiro gaúcho, p.111-115).
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