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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Barbosa Lessa

Barbosa Lessa
Barbosa Lessa (Luís Carlos Barbosa Lessa), compositor, escritor, folclorista e radialista, nasceu em Piratini, RS, em 13/12/1929, e faleceu na cidade de Camaquã, RS, em 11/03/2002. Gostava de música desde criança, aprendendo piano com a mãe, Alda. Aos 18 anos, em Porto Alegre RS, começou a compor, interessando-se logo em seguida por temas folclóricos gaúchos. Dos 20 aos 23 anos dedicou-se à pesquisa e adaptação de músicas do folclore local, embora continuasse compondo, particularmente sobre temas regionais gaúchos. 

Em 1953 tinha um programa sobre música regional na Rádio Farroupilha. Procurado pelo Conjunto Farroupilha, que havia recebido convite da etiqueta carioca Rádio para gravar o segundo LP de uma série, com música gaúcha, entregou-lhes várias composições suas, entre elas o Negrinho do pastoreio, usada na abertura do seu programa. A música, depois de gravada, tornou-se característica do conjunto em suas apresentações. 

Em 1954 mudou-se para São Paulo, SP, onde entrou em contato com a cantora Inezita Barroso, que então começou a divulgar danças gaúchas em programas de rádio e televisão, além de discos (vide o LP Inezita Barroso com o Grupo Folclórico Barbosa Lessa, logo abaixo). No mesmo ano foi um dos fundadores da SADEMBRA. Com Paixão Cortes recolheu várias canções folclóricas gaúchas, gravadas em 1955: O anu, Balaio, Cana verde, Chimarrita-balão, Maçanico, Pezinho, Quero-mana, Tatu, O xótis (Xótis da laranjeira) etc. 

Por 1956 passou por sua única experiência como cantor, quando compôs e interpretou no filme Cara de fogo, de Galileu Garcia, duas canções, Moço, ei moço! e Entrevero no jacá, esta em parceria com Danilo de Castro. No mesmo ano compôs outro tema regional gaúcho para o filme O sobrado, de Walter Georges Durst e Cassiano Gabus Mendes. 

Em 1957, ano do lançamento de Cara de fogo, chegou a gravar um 78 rpm pela RGE, com Entrevero no jacá e Dezoito de Junho, esta em parceria com José Manzano Filho. Um ano depois compunha Terra morna, Generoso e Feitiço Índio, para o filme Paixão de gaúcho, de Walter Georges Durst. Depois passou dois anos realizando o levantamento do folclore musical-coreográfico de todo o país, do Amazonas ao Rio Grande do Sul. 

Entre 1958 e 1960, também promoveu shows em que às vezes se apresentavam Os Titulares do Ritmo, conjunto que convidaria, em 1962, para gravar o LP O Rio Grande do Sul ou O gaúcho canta, que produziu e foi lançado pela Fermata, com arranjos do maestro Francisco Morais. Em 1962 realizou, no centro de São Paulo, uma feira de arte popular, que reuniu artistas de todo o Brasil. 

Publicou: Chimarrão, São Paulo, 1953; O boi das aspas de ouro, Porto Alegre, 1958; Os guaxos, Rio de Janeiro, 1959; Cancioneiro do Rio Grande, São Paulo, 1962. Em colaboração com Paixão Cortes, publicou ainda Manual de danças gaúchas, com suplemento musical e ilustrativo, Porto Alegre, 1956 (2 ed., São Paulo, 1969; 3 ed., São Paulo, 1968), e Danças e andanças da tradição gaúcha, Porto Alegre, 1975 (2’ ed., Porto Alegre, 1975). 

Em 1974, retornou a Porto Alegre, onde permaneceu até 1987, ano em que, aposentando-se, transferiu-se para Camaquã RS, ali mantendo com sua esposa uma reserva ecológica particular. Em 1979 foi convidado pelo governador Amaral de Sousa para trabalhar na área da cultura. Como secretário estadual da Cultura, idealizou e pré-inaugurou em 1983 a Casa de Cultura Mário Quintana. 

Depois que retornou ao Rio Grande do Sul, desenvolveu grande atividade literária, dedicando-se principalmente à história e a temas regionais, publicando, entre outros, Porto Alegre: Terra gente, Porto Alegre, 1976; Usos e costume gaúchos, Porto Alegre, 1978; O gaúcho ontem e hoje, Porto Alegre, 1979; Problemas brasileiros, uma perspectiva histórica (2 vols.), Porto Alegre, 1980; Calendário histórico-cultural do RS, Porto Alegre, 1981; Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo, Porto Alegre, 1984; Aspectos da sociabilidade do gaúcho (com Paixão Cortes), Porto Alegre, 1985 e Almanaque dos gaúchos, Porto Alegre, 1997. Atuou também em emissoras de rádio, TV e como roteirista de cinema e redator de histórias em quadrinhos.

Izezita Barroso com o Grupo Folclórico Barbosa Lessa.

Obra

Canção do tropeiro, toada, 1960; O carreteiro, toada, 1948; Chamarra do Calaveira (c/Heleno Jimenez), chimarrita, 1982; Chula (c/Paixão Cortes), dança, 1953; Despedida, toada andante, 1962; Dezoito de Junho ou Alma do Rio Grande (c/José Manzano Filho), 1961; Feitiço índio, missioneira, 1958; Generoso, toada, 1958; Hino tradicionalista, marcha, 1998; João-de-barro, valsa, 1961; Kerb no céu, valsa, 1974; Milonga do casamento, 1956; Negrinho do pastoreio, toada, 1948; Passarinho bem-querê, missioneira, 1962; Pôr-do-sol no Guaíba, marcha-rancho, 1974; Quando sopra o minuano ou Levanta, Gaúcho!, missioneira, 1961; Redondo, Sinhá! (c/Paixão Cortes), sobre tema popular, 1954; Tiaraju, toada andante, 1961; Trago a filha na garupa, toada, 1962.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Jaime Caetano Braun


Jaime Guilherme Caetano Braun (Timbaúva-RS, 30/1/1924 — Porto Alegre-RS, 8/7/1999) foi um renomado payador (1), radialista e poeta do Rio Grande do Sul, prestigiado também na Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Era conhecido como El Payador e por vezes utilizou os pseudônimos de Piraj, Martín Fierro, Chimango e Andarengo.

Jaime nasceu na Timbaúva (hoje Bossoroca), na época distrito de São Luiz Gonzaga, na Região das Missões no Rio Grande do Sul. Durante sua carreira fez diversas payadas, poemas e canções, sempre ressaltando o Rio Grande do Sul, a vida campeira, os modos gaúchos e a natureza local. Sonhava em ser médico mas, tendo apenas o ensino médio, se tornou um autodidata principalmente nos assuntos da cultura sulina e remédios caseiros, pois afirmava que "todo missioneiro tem a obrigação de ser um curador".

Aos 16 anos mudou-se para Passo Fundo, onde viveria até os 19 anos. Nessa cidade, completou seus estudos no Colégio Marista Conceição e serviu ao Exercito Brasileiro. Foi membro e co-fundador da Academia Nativista Estância da Poesia Crioula, grupo de poetas tradicionalistas que se reuniu no final dos anos 50, na capital gaúcha.

Trabalhou, publicando poemas, em jornais como O Interior e A noticia (de São Luiz Gonzaga). Passa dirigir em 1948 o programa radiofônico Galpão de Estância, em São Luiz Gonzaga e em 1973 passa a participar do programa semanal Brasil Grande do Sul, na Rádio Guaíba. Na capital, o primeiro jornal a publicar seus poemas foi o A Hora, que dedicava toda semana uma página em cores aos poemas de Jaime.

Como funcionário público trabalhou no Instituto de Pensões e Aposentadorias dos Servidores do Estado e ainda foi diretor da Biblioteca Pública do Estado de 1959 a 1963, aposentando-se em 1969. Na farmácia do IPASE era reconhecido pelo grande conhecimento que tinha dos remédios.

Em 1945 começa a atuar na política, participando em palanques de comício como payador. O poema O Petiço de São Borja, publicado em revistas e jornais do país, fala de Getúlio Vargas. Participa das campanhas de Ruy Ramos, com o poema O Mouro do Alegrete, como era conhecido o político e parente de Jaime. Foi Ruy Ramos, também ligado ao tradicionalismo, que lançou Jaime Caetano Braun como payador, no 1º Congresso de Tradicionalismo do Rio Grande do Sul, realizado em Santa Maria no ano de 1954.

Casou duas vezes, em 1947 com Nilda Jardim, e em 1988 com Aurora de Souza Ramos. Teve três filhos, Marco Antônio e José Raimundo do primeiro casamento, e Cristiano do segundo. Veio a falecer de parada cardíaca em 8 de julho de 1999, em Porto Alegre. Seu corpo foi velado no Palácio Piratini, sede do governo sul-riograndense, e enterrado no cemitério João XXIII, na capital do estado.


Obra

Lançou diversos livros de poesias, como Galpão de Estância (1954), De fogão em fogão (1958), Potreiro de Guaxos (1965), Bota de Garrão (1966), Brasil Grande do Sul (1966), Passagens Perdidas (1966) e Pendão Farrapo (1978). Em 1990 lança Payador e Troveiro, e seis anos depois a antologia poética 50 Anos de Poesia, sua ultima obra escrita. Publicou ainda um dicionário de regionalismos, Vocabulário Pampeano - Pátria, Fogões e Legendas, lançado em 1987.

Gravou CDs e discos, como Payador, Pampa, Guitarra, antológica obra em parceria com Noel Guarany. Sua ultima obra lançada em vida foi o disco Poemas Gaúchos, com sucessos como Payada da Saudade, Piazedo, Remorsos de Castrador, Cemitério de Campanha e Galo de Rinha.

Entre seus poemas mais declamados pelos poetas regionalistas do país inteiro, destacam-se Bochincho, Tio Anastácio, Amargo, Paraíso Perdido, Payada a Mário Quintana e Galo de Rinha.


(1) Payada é uma forma de poesia improvisada vigente na Argentina, no Uruguai, no sul do Brasil e no Chile (onde chama-se Paya). É uma forma de repente em estrofes de 10 versos, de redondilha maior e rima ABBAACCDDC, com o acompanhamento de violão.

domingo, 21 de novembro de 2010

O palhaço Carequinha

Carequinha

Carequinha (George Savalla Gomes), palhaço, compositor e cantor, nasceu em Rio Bonito-RJ (18/7/1915) e faleceu no Rio de Janeiro-RJ (5/4/2006). Em 1920 começou a trabalhar no Circo Peruano, de seu avô, chamado Savalla, em Carangola, e em 1938 estreou como cantor no programa Picolino, de Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro.

Com a inauguração da TV Tupi, em 1950, formou com Fred (Fred Vilar) notável dupla de palhaços, em seu programa Circo do Carequinha, pioneiro na televisão. Em 1958 realizou sua primeira gravação com a música Fanzoca de rádio (Miguel Gustavo), e no ano seguinte estreou como compositor, gravando Alma de palhaço (com Fred).

Algumas letras de músicas

A carrocinha pegou, Alma de Palhaço, Canção da Primeira Comunhão, Chicotinho queimado, Circo alegre do Carequinha, Escolinha do Carequinha, Foi mamãe, Furaram meu balão, História do gago, O bom menino, O velhinho de barba branca, Quadrilha enquadrilhada, Rock do ratinho.

O Palhaço Carequinha

Numa noite de 18 de julho de 1915, na cidade de Rio Bonito, Estado do Rio de Janeiro, a aramista e trapezista Elisa Savalla, durante uma apresentação noturna no Circo Peruano, sente as primeiras dores do parto. O seu marido, Lázaro Gomes, em pleno picadeiro, pede para ela descer do arame. Assim, num barraco de circo, nasce George Savalla Gomes, mais conhecido como Carequinha. Logo após o parto, seguindo uma bela tradição circense, ele recebe dos artistas os primeiros dos muitos aplausos, que se tornariam uma constante em sua vida.

O pai, que largou a batina pela atriz circense, morreu quando Carequinha tinha dois anos. Sua mãe casou-se novamente, com Ozório Portilho. Aos cinco anos, na cidade de Carangola, Minas Gerais, sua família trabalhava no Circo Peruano de seu avô, José Rosa Savalla, quando o padrasto Ozório, após alguns ensaios, colocou uma careca no pequeno menino e disse: “Hoje você vai entrar ( no picadeiro ) carequinha" e profético determinou que “de agora em diante você será o Carequinha”. Naquela ocasião tinha um palhaço que se chamava Careca e não podiam existir dois palhaços com nomes iguais. Então, dos cinco anos em diante, ele nunca mais deixou de ser o Carequinha.

Devidamente batizado, o contato com o público foi imediato e pouco a pouco transformou seu caminho em sinônimo de alegria. Foram muitas viagens pelo Brasil, com o Circo Peruano, da família Savalla, depois o Circo Ocidental (comprado pelo padrasto ), sendo palhaço oficial do circo aos 12 anos, o Atlântico e o Olimecha, até chegar no Rio de Janeiro o Circo Alemão Sarrazani.

Isso foi em 1951. Eles queriam uns palhaços brasileiros e Carequinha e o companheiro Fred tornaram-se então uns dos raros palhaços do Brasil contratados por um circo estrangeiro. O circo era uma bola de alumínio, uma coisa extraordinária, para o veterano palhaço que nunca tinha aquilo. O circo ficou três meses defronte da Central do Brasil e depois, com Carequinha e Fred, foi para São Paulo. Os dois palhaços ficaram 4 meses e meio nesse espetáculo.

Naquela época o circo também era teatro, como relembra o palhaço: “Eu era o galã, rapaz novo, fazia o palhaço na primeira parte e depois o galã das peças. O circo tinha palco, a primeira parte era no picadeiro e a segunda no palco, levava aqueles dramalhões". Foi na segunda parte que Carequinha conheceu o grande companheiro Fred, um alfaiate que nas horas vagas trabalhava em teatros dos subúrbios carioca.

Depois, radicado na cidade de São Gonçalo, Rio de Janeiro, Carequinha optou por apresentar-se fora do circo, na qual as apresentações eram diárias. Carequinha gostava de fazer três, quatro, cinco apresentações por semana. Então, ele se limitou a fazer shows de aniversários, clubes e viagens para o interior do país.

Ele representou o nosso país quatro vezes no Exterior, ganhando uma medalha de ouro na Itália como o Palhaço Moderno do Mundo. O recebimento da medalha ocorreu na Cidade de Campione D’itália, credenciado ao concurso pela Superintendência do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, para representar o Brasil no I Festival Internacional de Clow, que foi realizado nos dias 13 e 14 do mês de dezembro de 1964, disputando com palhaços de 20 países. Também esteve em Portugal, na América do Norte duas vezes, na Argentina e no Reino Unido.

Em certa ocasião, enquanto viajava de avião para Florianópolis, o diretor de um show passou um rádio para o avião em que se encontrava Carequinha pedindo que ele descesse maquiado porque tinha umas três mil pessoas no aeroporto esperando para vê-lo. Neste dia, ele recebeu a chave da cidade num carro do Corpo de Bombeiro e foi até o centro da cidade para o primeiro show numa praça que estava lotada.

A mesma receptividade ocorreu em Porto Alegre e Portugal. A partir do convite de Getúlio Vargas para apresentar o seu circo para seus filhos no Palácio do Catete, Carequinha passou a ser considerado o Palhaço dos Presidentes. Os seus shows eram quase que obrigatórios para todos os presidentes da República, desde de Getúlio Vargas passando por JK incluindo os Generais do governo militar. Ele tomou parte da inauguração da Praça dos Três Poderes, na então recém criada Brasília (1960), convidado pelo amigo Juscelino Kubitschek.

Durante suas viagens de trabalho, Carequinha encontrou tempo para namorar e casar-se. “O Circo Ocidental foi a Poços de Caldas, Minas Gerais ( 1940 ). Lá, eu me casei e depois voltamos para São Gonçalo. Minha esposa, Elpídia, era professora e gostou do Carequinha. Eu bem que lhe contei como era a minha vida. Mesmo assim ela decidiu se casar comigo”.

Carequinha também tinha tempo para os estudos, tendo estudado até o 3o ano da faculdade de Direito. Desde criança, sua mãe o matriculava na escola de cada cidade por onde o circo passava. Assim foi sua vida escolar.

O rádio estava em sua Época de Ouro. Carequinha integrou o elenco do Programa Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga ( RJ ), e do show de variedades de César de Alencar, na Rádio Nacional ( RJ ). Trabalhou ao lado de cantores como Francisco Alves, Emilinha Borba e Ângela Maria. As músicas interpretadas por Carequinha, Fanzóca do Rádio ( brincadeira com as fãs de Emilinha Borba ) e A Burrinha foram as mais tocadas nos carnavais de 1958 e 1960, respectivamente.

Além das marchinhas carnavalescas, Ele gravou várias músicas infantis, muitas acompanhado pelo flautista Altamiro Carrilho e sua bandinha. Em 1962, com Carrilho, Carequinha gravou O Bom Menino ( “O Bom Menino não Faz Pipi Na Cama/ O Bom Menino não Faz Mal-criação/ O Bom Menino Vai Sempre a Escola....” ) que vendeu 2 milhões e 500 mil cópias.

Ele foi o primeira a gravar a música de roda Atirei o Pau no Gato, além de outras velhas cantigas infantis. O jornal Folha de São Paulo publicou certa vez que Carequinha foi o primeiro a gravar um rock infantil no Brasil: O Rock do Ratinho. No início da década de 80, Carequinha, juntamente com Pelé, participou do primeiro disco de Xuxa Meneghel: O Clube da Criança. Ao todo ele gravou 27 LP’s e 184 compactos, mas poucos sabem que ele foi um seresteiro.

História do gago

Carequinha
História do gago (fox, 1960) - Irani de Oliveira e Altamiro Carrilho

Título da música: História de gago / Gênero musical: Fox / Intérprete: Carequinha /Compositores: Carrilho, Altamiro - Oliveira, Irani de / Acompanhamento Carrilho, Altamiro ; Bandinha / Coro Infantil - Lar da Glória / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6106 / Data de Lançamento 1960-1960 / Lado B / Disco 78 rpm.


Eu conheci um gago
Que gostava muito
De contar lorota-ta, lorota-ta
Ele fazia um estrago
quando gaguejava
Contando anedota. (bis)

Falando:
Era uma vez uma-ma ga-galinha
Que go-gostava mu-muito de botar o-o...

Chicotinho queimado

Carequinha
Chicotinho queimado (infantil, 1962) - Carequinha e Almeidinha

Título da música: Chicotinho queimado / Gênero musical: Não identificado / Intérprete: Carequinha / Compositores: Almeidinha e Carequinha / Acompanhamento: Carrilho, Altamiro - Bandinha - Coro Infantil - Oliveira, Irani de / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6424 / Lado B / Disco 78 rpm.


Vamos brincar de chicotinho queimado
Eu me escondo e vocês vão me procurar
Vamos brincar de chicotinho queimado
Eu me escondo e vocês vão me procurar

Eu darei um doce para quem me encontrar
Eu darei um doce para quem me encontrar

O velhinho de barba branca

Carequinha
O velhinho de barba branca (fox, 1962) - Irani de Oliveira

Título da música: O velhinho de barba branca / Gênero musical: Fox / Intérprete: Carequinha / Compositores: Oliveira, Irani de / Acompanhamento Carrilho, Altamiro - Bandinha - Coro Infantil / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6317 / Lado A / Disco 78 rpm.


O velhinho de barba branca
Que vem chegando
-É Papai Noel!
Ele vem
Com seus brinquedos
Com seu trolinho
-De lá do céu!
Lá na rua onde eu moro
A garotada vai delirar
A criançada está toda contente
-Porque Papai já vai chegar!

Foi mamãe

Carequinha
Foi mamãe (marcha, 1962) - Almeida Rego e Irani de Oliveira

Título da música: Foi mamãe / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Carequinha / Compositores: Rego, Almeida - Oliveira, Irani de / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6387 / Data de Gravação 1961-1962 / Data de Lançamento 00/1962 / Lado A / Disco 78 rpm.


Quem me ensinou a andar?
Foi mamãe
Quem me ensinou a falar?
Foi mamãe
Quem o meu sono embalou?
Foi mamãe
Quem minha dor consolou?
Foi mamãe
Quem a meu lado viveu?
Foi mamãe
Quem sua vida se deu?
Foi mamãe
Santa que eu quero por num altar!
Mamãe, mamãe, mamãe! (bis)

Quadrilha enquadrilhada

Carequinha
Quadrilha enquadrilhada (quadrilha, 1961) - Irani de Oliveira e Altamiro Carrilho

Título da música: Quadrilha enquadrilhada / Gênero musical: Quadrilha / Intérprete: Carequinha / Compositores: Carrilho, Altamiro - Oliveira, Irani de / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6249 / Data de Gravação 1960-1961 / Data de Lançamento 00/1961 / Lado B / Disco 78 rpm.

Furaram meu balão

Carequinha
Furaram meu balão (marcha, 1961) - Irani de Oliveira e Altamiro Carrilho

Título da música: Furaram meu balão / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Carequinha / Compositores: Carrilho, Altamiro - Oliveira, Irani de / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6249 / Data de Gravação 1960-1961 / Data de Lançamento 00/1961 / Lado A / Disco 78 rpm.

Furaram meu balão
Que eu fiz pra São João
(É São João, é São João!)
Furaram meu balão
Que eu fiz pra São João
(É São João, é São João!)

Eu não gostei
Eu não gostei não
Foi muita falta de consideração
Mas vejam só
Que sorte a minha
Não acertaram
O balão do Carequinha!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nhô Pai

João Alves dos Santos, o Nhô Pai, nasceu em Paraguaçu Paulista, SP, no dia 28 de março de 1912 e faleceu também na cidade Paraguaçu, no dia 12 de março de 1988

O compositor do corrido Beijinho doce foi lançado por Ariovaldo Pires (o Capitão Furtado) e, como intérprete, formou duplas com seu compadre Nhô Fio, sua prima Nhá Fia e também com sua irmã Nhá Zefa. Também chegou a cantar juntamente com Tonico, da dupla Tonico e Tinoco.

Nitidamente influenciado pela música paraguaia, Nhô Pai fez bastante sucesso nos anos 40 e 50 interpretando vários rasqueados. Em 1943, cruzando pastos em carros de boi, viajando em caminhões de mudança, Nhô Pai excursionou pelo interior paulista, pela região do Triângulo Mineiro e pelos estados de Mato Grosso e Goiás, juntamente com o Capitão Furtado, Nhá Fia e Mário Zan. Apresentaram-se em diversos lugares incluindo cinemas, salões de igrejas e pracinhas.

Já tendo cantado em dupla com Nhô Fio e Nhá Zefa, Nhô Pai formou em 1942 uma dupla com João Salvador Peres, o Tonico da dupla Tonico e Tinoco. Intrepretaram o rasqueado Casinha de Carandá (Nhô Pai) e a valsa Gauchita (Zé Mané). No mesmo ano, Nhô Pai também gravou com Nhô Fio a moda de viola O Brasil entrou na Guerra de Nhô Pai e Ariowaldo Pires, além do rasqueado Fronteira de Nhô Pai e Edgard Cardoso.

Outro fato curioso se deu em 1944, quando Nhô Pai compôs e gravou juntamente com Nhô Fio o desafio Corinthians x São Paulo (Nhô Pai/ Nhô Fio), incluindo o futebol, tema caracteristicamente urbano como assunto também na música caipira.

Como compositor, seu maior sucesso foi sem sombras de dúvida o corrido Beijinho doce, gravado pela primeira vez em 1945 pelas Irmãs Castro e posteriormente pelas Irmãs Galvão. Essa música se tornou um dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira, tendo sido incluída também no filme Aviso Aos Navegantes de 1951.

Esse famoso corrido foi gravado também em diferentes ritmos, tais como valsa (por Adelaide Chiozzo e Eliana) e Baião (por André Penazzi). Mas foi em 1976 que Beijinho doce voltou a ser novamente um grande sucesso quando foi gravado por Nalva Aguiar, que até então atuava predominantemente nos ritmos da Jovem Guarda. Segundo algumas opniões tal gravação estabeleceu um "segundo marco" na migração de intérpretes da Jovem Guarda para a música Sertaneja, a exemplo de Sérgio Reis, quando da sua gravação de O menino da porteira (Teddy Vieira / Luizinho) em 1973.

Nhô Pai deixou um expressivo repertório de composições em nossa música caipira, tendo tido diversos parceiros como Riellinho, Ariovaldo Pires, Piraci, Ado Benatti, Nalva Aguiar, Sulino, Mario Zan e Raul Torres, além dos já citados Nhô Fio e Nhá Zefa.

Fonte: www.boamusicaricardinho.com