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domingo, 21 de novembro de 2010

O palhaço Carequinha

Carequinha

Carequinha (George Savalla Gomes), palhaço, compositor e cantor, nasceu em Rio Bonito-RJ (18/7/1915) e faleceu no Rio de Janeiro-RJ (5/4/2006). Em 1920 começou a trabalhar no Circo Peruano, de seu avô, chamado Savalla, em Carangola, e em 1938 estreou como cantor no programa Picolino, de Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro.

Com a inauguração da TV Tupi, em 1950, formou com Fred (Fred Vilar) notável dupla de palhaços, em seu programa Circo do Carequinha, pioneiro na televisão. Em 1958 realizou sua primeira gravação com a música Fanzoca de rádio (Miguel Gustavo), e no ano seguinte estreou como compositor, gravando Alma de palhaço (com Fred).

Algumas letras de músicas

A carrocinha pegou, Alma de Palhaço, Canção da Primeira Comunhão, Chicotinho queimado, Circo alegre do Carequinha, Escolinha do Carequinha, Foi mamãe, Furaram meu balão, História do gago, O bom menino, O velhinho de barba branca, Quadrilha enquadrilhada, Rock do ratinho.

O Palhaço Carequinha

Numa noite de 18 de julho de 1915, na cidade de Rio Bonito, Estado do Rio de Janeiro, a aramista e trapezista Elisa Savalla, durante uma apresentação noturna no Circo Peruano, sente as primeiras dores do parto. O seu marido, Lázaro Gomes, em pleno picadeiro, pede para ela descer do arame. Assim, num barraco de circo, nasce George Savalla Gomes, mais conhecido como Carequinha. Logo após o parto, seguindo uma bela tradição circense, ele recebe dos artistas os primeiros dos muitos aplausos, que se tornariam uma constante em sua vida.

O pai, que largou a batina pela atriz circense, morreu quando Carequinha tinha dois anos. Sua mãe casou-se novamente, com Ozório Portilho. Aos cinco anos, na cidade de Carangola, Minas Gerais, sua família trabalhava no Circo Peruano de seu avô, José Rosa Savalla, quando o padrasto Ozório, após alguns ensaios, colocou uma careca no pequeno menino e disse: “Hoje você vai entrar ( no picadeiro ) carequinha" e profético determinou que “de agora em diante você será o Carequinha”. Naquela ocasião tinha um palhaço que se chamava Careca e não podiam existir dois palhaços com nomes iguais. Então, dos cinco anos em diante, ele nunca mais deixou de ser o Carequinha.

Devidamente batizado, o contato com o público foi imediato e pouco a pouco transformou seu caminho em sinônimo de alegria. Foram muitas viagens pelo Brasil, com o Circo Peruano, da família Savalla, depois o Circo Ocidental (comprado pelo padrasto ), sendo palhaço oficial do circo aos 12 anos, o Atlântico e o Olimecha, até chegar no Rio de Janeiro o Circo Alemão Sarrazani.

Isso foi em 1951. Eles queriam uns palhaços brasileiros e Carequinha e o companheiro Fred tornaram-se então uns dos raros palhaços do Brasil contratados por um circo estrangeiro. O circo era uma bola de alumínio, uma coisa extraordinária, para o veterano palhaço que nunca tinha aquilo. O circo ficou três meses defronte da Central do Brasil e depois, com Carequinha e Fred, foi para São Paulo. Os dois palhaços ficaram 4 meses e meio nesse espetáculo.

Naquela época o circo também era teatro, como relembra o palhaço: “Eu era o galã, rapaz novo, fazia o palhaço na primeira parte e depois o galã das peças. O circo tinha palco, a primeira parte era no picadeiro e a segunda no palco, levava aqueles dramalhões". Foi na segunda parte que Carequinha conheceu o grande companheiro Fred, um alfaiate que nas horas vagas trabalhava em teatros dos subúrbios carioca.

Depois, radicado na cidade de São Gonçalo, Rio de Janeiro, Carequinha optou por apresentar-se fora do circo, na qual as apresentações eram diárias. Carequinha gostava de fazer três, quatro, cinco apresentações por semana. Então, ele se limitou a fazer shows de aniversários, clubes e viagens para o interior do país.

Ele representou o nosso país quatro vezes no Exterior, ganhando uma medalha de ouro na Itália como o Palhaço Moderno do Mundo. O recebimento da medalha ocorreu na Cidade de Campione D’itália, credenciado ao concurso pela Superintendência do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, para representar o Brasil no I Festival Internacional de Clow, que foi realizado nos dias 13 e 14 do mês de dezembro de 1964, disputando com palhaços de 20 países. Também esteve em Portugal, na América do Norte duas vezes, na Argentina e no Reino Unido.

Em certa ocasião, enquanto viajava de avião para Florianópolis, o diretor de um show passou um rádio para o avião em que se encontrava Carequinha pedindo que ele descesse maquiado porque tinha umas três mil pessoas no aeroporto esperando para vê-lo. Neste dia, ele recebeu a chave da cidade num carro do Corpo de Bombeiro e foi até o centro da cidade para o primeiro show numa praça que estava lotada.

A mesma receptividade ocorreu em Porto Alegre e Portugal. A partir do convite de Getúlio Vargas para apresentar o seu circo para seus filhos no Palácio do Catete, Carequinha passou a ser considerado o Palhaço dos Presidentes. Os seus shows eram quase que obrigatórios para todos os presidentes da República, desde de Getúlio Vargas passando por JK incluindo os Generais do governo militar. Ele tomou parte da inauguração da Praça dos Três Poderes, na então recém criada Brasília (1960), convidado pelo amigo Juscelino Kubitschek.

Durante suas viagens de trabalho, Carequinha encontrou tempo para namorar e casar-se. “O Circo Ocidental foi a Poços de Caldas, Minas Gerais ( 1940 ). Lá, eu me casei e depois voltamos para São Gonçalo. Minha esposa, Elpídia, era professora e gostou do Carequinha. Eu bem que lhe contei como era a minha vida. Mesmo assim ela decidiu se casar comigo”.

Carequinha também tinha tempo para os estudos, tendo estudado até o 3o ano da faculdade de Direito. Desde criança, sua mãe o matriculava na escola de cada cidade por onde o circo passava. Assim foi sua vida escolar.

O rádio estava em sua Época de Ouro. Carequinha integrou o elenco do Programa Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga ( RJ ), e do show de variedades de César de Alencar, na Rádio Nacional ( RJ ). Trabalhou ao lado de cantores como Francisco Alves, Emilinha Borba e Ângela Maria. As músicas interpretadas por Carequinha, Fanzóca do Rádio ( brincadeira com as fãs de Emilinha Borba ) e A Burrinha foram as mais tocadas nos carnavais de 1958 e 1960, respectivamente.

Além das marchinhas carnavalescas, Ele gravou várias músicas infantis, muitas acompanhado pelo flautista Altamiro Carrilho e sua bandinha. Em 1962, com Carrilho, Carequinha gravou O Bom Menino ( “O Bom Menino não Faz Pipi Na Cama/ O Bom Menino não Faz Mal-criação/ O Bom Menino Vai Sempre a Escola....” ) que vendeu 2 milhões e 500 mil cópias.

Ele foi o primeira a gravar a música de roda Atirei o Pau no Gato, além de outras velhas cantigas infantis. O jornal Folha de São Paulo publicou certa vez que Carequinha foi o primeiro a gravar um rock infantil no Brasil: O Rock do Ratinho. No início da década de 80, Carequinha, juntamente com Pelé, participou do primeiro disco de Xuxa Meneghel: O Clube da Criança. Ao todo ele gravou 27 LP’s e 184 compactos, mas poucos sabem que ele foi um seresteiro.

História do gago

Carequinha
História do gago (fox, 1960) - Irani de Oliveira e Altamiro Carrilho

Título da música: História de gago / Gênero musical: Fox / Intérprete: Carequinha /Compositores: Carrilho, Altamiro - Oliveira, Irani de / Acompanhamento Carrilho, Altamiro ; Bandinha / Coro Infantil - Lar da Glória / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6106 / Data de Lançamento 1960-1960 / Lado B / Disco 78 rpm.



Eu conheci um gago
Que gostava muito
De contar lorota-ta, lorota-ta
Ele fazia um estrago
quando gaguejava
Contando anedota. (bis)

Falando:
Era uma vez uma-ma ga-galinha
Que go-gostava mu-muito de botar o-o...

Chicotinho queimado

Carequinha
Chicotinho queimado (infantil, 1962) - Carequinha e Almeidinha

Título da música: Chicotinho queimado / Gênero musical: Não identificado / Intérprete: Carequinha / Compositores: Almeidinha e Carequinha / Acompanhamento: Carrilho, Altamiro - Bandinha - Coro Infantil - Oliveira, Irani de / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6424 / Lado B / Disco 78 rpm.



Vamos brincar de chicotinho queimado
Eu me escondo e vocês vão me procurar
Vamos brincar de chicotinho queimado
Eu me escondo e vocês vão me procurar

Eu darei um doce para quem me encontrar
Eu darei um doce para quem me encontrar

O velhinho de barba branca

Carequinha
O velhinho de barba branca (fox, 1962) - Irani de Oliveira

Título da música: O velhinho de barba branca / Gênero musical: Fox / Intérprete: Carequinha / Compositores: Oliveira, Irani de / Acompanhamento Carrilho, Altamiro - Bandinha - Coro Infantil / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6317 / Lado A / Disco 78 rpm.



O velhinho de barba branca
Que vem chegando
-É Papai Noel!
Ele vem
Com seus brinquedos
Com seu trolinho
-De lá do céu!
Lá na rua onde eu moro
A garotada vai delirar
A criançada está toda contente
-Porque Papai já vai chegar!

Foi mamãe

Carequinha
Foi mamãe (marcha, 1962) - Almeida Rego e Irani de Oliveira

Título da música: Foi mamãe / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Carequinha / Compositores: Rego, Almeida - Oliveira, Irani de / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6387 / Data de Gravação 1961-1962 / Data de Lançamento 00/1962 / Lado A / Disco 78 rpm.



Quem me ensinou a andar?
Foi mamãe
Quem me ensinou a falar?
Foi mamãe
Quem o meu sono embalou?
Foi mamãe
Quem minha dor consolou?
Foi mamãe
Quem a meu lado viveu?
Foi mamãe
Quem sua vida se deu?
Foi mamãe
Santa que eu quero por num altar!
Mamãe, mamãe, mamãe! (bis)

Quadrilha enquadrilhada

Carequinha
Quadrilha enquadrilhada (quadrilha, 1961) - Irani de Oliveira e Altamiro Carrilho

Título da música: Quadrilha enquadrilhada / Gênero musical: Quadrilha / Intérprete: Carequinha / Compositores: Carrilho, Altamiro - Oliveira, Irani de / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6249 / Data de Gravação 1960-1961 / Data de Lançamento 00/1961 / Lado B / Disco 78 rpm.



Quadrilha na roça é sempre assim
(Quadrilha na roça é sempre assim)
É a sanfona fazendo pirim pim pim
(É a sanfona fazendo pirim pim pim)

Segunda parte

Terceira parte

Agora pra modificar, quarta parte

E agora pra variar a quinta parte

E agora pra não ficar tudo igual, a sexta parte

Viva são João!
(Viva!)

Furaram meu balão

Carequinha
Furaram meu balão (marcha, 1961) - Irani de Oliveira e Altamiro Carrilho

Título da música: Furaram meu balão / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Carequinha / Compositores: Carrilho, Altamiro - Oliveira, Irani de / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 6249 / Data de Gravação 1960-1961 / Data de Lançamento 00/1961 / Lado A / Disco 78 rpm.



Furaram meu balão
Que eu fiz pra São João
(É São João, é São João!)
Furaram meu balão
Que eu fiz pra São João
(É São João, é São João!)

Eu não gostei
Eu não gostei não
Foi muita falta de consideração
Mas vejam só
Que sorte a minha
Não acertaram
O balão do Carequinha!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Cantigas de Roda


As cantigas de roda são primordiais para se conhecer os  costumes, o cotidiano das pessoas, festas, pratos típicos, brincadeiras, crenças locais e paisagem. Normalmente de origem antiga vão sendo passadas oralmente pelas gerações.

Introdução

Pode parecer curioso para alguns falar-se em cantigas ou brincadeiras-de-roda nos dias de hoje. Em tempos, em que estas manifestações da cultura popular espontânea estão com o seu espaço tão diminuído.

Nas ruas, nas praças, nos quintais está mais raro de se ver ou ouvir-se das bocas infantis aquelas canções que, na simplicidade das suas melodias ritmos e palavras, guardam séculos de sabedoria e a riqueza condensada do imaginário popular.

Porém, sem estarem em alta, também não estão extintas. E configurando uma situação contrastante e quase contraditória - é certo que muitas vezes tendo partes omitidas ou formas esquecidas e transformadas, elas sobrevivem à era do computador. Talvez como um reflexo da busca do contato com a expressão genuína e ancestral que é, em última instância, insubstituível.

O fato é que toda esta conjuntura não altera em nada o teor valoroso intrínseco às Cantigas e Brincadeiras-de-roda. Elas continuam contendo símbolos fecundadores de toda a vida subjetiva, e continuam funcionando como pretextos maravilhosos para a criança experimentar o seu corpo, a linguagem, e para descobrir-se a si própria ao mesmo tempo se revelando ao outro e inserindo-se no convívio social.

Cantigas de Roda e o Folclore

Cantiga ou ciranda de roda é um tipo de canção popular, de caráter folclórico, que está diretamente relacionada com a brincadeira de roda. A prática é comum em todo o Brasil e faz parte do folclore brasileiro. Consiste em formar um grupo com várias crianças, dar as mãos e cantar uma música com características próprias, como melodia e ritmo equivalentes à cultura local, letras de fácil compreensão, temas referentes à realidade da criança ou ao seu universo imaginário e geralmente com coreografias.

Esta prática, hoje em dia não tão presente na realidade infantil como antigamente devido às tecnologias existentes, é geralmente usada para entretenimento de todas as idades em locais como colégios, creches, parques, etc.

Há algumas características que elas têm em comum, como por exemplo, a letra. Além de ser uma letra simples de memorizar, é recheada de rimas, repetições e trocadilhos, o que faz da música uma brincadeira. Muitas vezes fala da vida dos animais, usando episódios fictícios, que comparam a realidade humana com a realidade daquela espécie, fazendo com que a atenção da criança fique presa à história contada pela música, o que estimula sua imaginação e memória. São os casos das músicas A barata diz que tem, Peixe vivo e Sapo jururu.

Em outros casos, algum objeto cria vida, ou fala-se de amor que para as crianças é representado principalmente pelo casamento, já que o exemplo mais próximo delas é o dos pais. Há ainda as que retratam alguma história engraçada, divertida para as crianças. Contudo, não podemos deixar de destacar as cantigas que falam de violência ou de medo. Apesar de esse ser um tema da realidade da criança, em algumas cantigas ele parece ser um estímulo à violência ou ao medo. Atualmente algumas canções vêm sendo alteradas por pessoas mais preocupadas com a influência das músicas na mente infantil.

Não há como detectar o momento em que as cantigas de roda, já que além de terem autoria anônima, são continuamente modificadas, adaptando-se à realidade do grupo de pessoas que as canta. São também criadas novas cantigas naturalmente em qualquer grupo social.

De acordo com Cascudo (1988), autor que se destaca pelo seu brilhante estudo e grande empenho a respeito do assunto, as cantigas de roda tem um caráter constante. “(…) apesar de serem cantadas uma dentro das outras e com as mais curiosas deformações das letras, pela própria inconsciência com que são proferidas pelas bocas infantis.” (ibid., p 676) Elas são transmitidas oralmente abandonadas em cada geração e reerguidas pela outra “numa sucessão ininterrupta de movimento e de canto quase independente da decisão pessoal ou do arbítrio administrativo.” (ibid., p. 146).

Como podemos confirmar é de acordo com a sua utilização pelas crianças que a cantiga vai se tornando popular. As cantigas hoje conhecidas no Brasil têm origem européia, mais especificamente de Portugal e Espanha. Não é notável, porém, esta origem, pois as mesmas já se adaptaram tanto ao folclore brasileiro que são o retrato do país.

As cantigas de roda são de extrema importância para a cultura de um local. Através dela dá-se a conhecer costumes, cotidiano das pessoas, festas típicas do local, comidas, brincadeiras, paisagem, flora, fauna, crenças, dentre muitas outras coisas.

O folclore de determinado local vai sendo construído aos poucos através não só de cantigas de roda, mas também de histórias populares contadas oralmente, cantigas de ninar, lendas, etc.

“O folclore inclui nos objetos e fórmulas uma quarta dimensão sensível ao seu ambiente” (Câmara Cascudo).

Fontes :Cantigas e Brincadeiras-de-Roda na Musicoterapia; Cantigas de Roda - InfoEscola.

Veja também: Cantigas de Roda - Letras de músicas e cifras

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Você gosta de mim

Você gosta de mim (cantiga infantil)

É uma roda de crianças e uma no meio. Cantam as da roda:

Você gosta de mim, ó fulana
Eu também de você, ó fulana
Vou pedir a teu pai, ó fulana
Pra casar com voce, ó fulana

Se ele disser que sim, ó fulana
Tratarei dos papéis, ó fulana
Se ele disser que não, ó fulana
Morrerei de paixão, ó fulana

Palma, palma, palma, ó fulana
Pé, pé, pé, ó fulana
Roda, roda, roda, ó fulana
Abraçarás quem quiser, ó fulana

Ao cantar a última quadra, batem palmas, com os pés e a garota do centro fica rodopiando. Quem for abraçada por esta última, passa então para o meio da roda na vez seguinte (Noemi Noronha. Natal, RN, 11 de abril de 1947).

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Vestidinho branco

Vestidinho branco (cantiga infantil)

É uma roda de crianças com uma no meio. Cantam as da roda:

Vestidinho branco }
Prá todas sentam bem } bis

Só assenta pra dona Fulana, ó maninha }
É mais do que ninguém } bis

É mais do que ninguém }
É por dentro e é por fora } bis

É com a letra N, ô maninha }
Com quem ela namora } bis

É com quem ela namora }
E já a namorou } bis

Canta, então, a garota que está no centro da roda, para a escolhida:

Ao sair da roda, ô maninha }
A mão lhe apertou } bis

Aqui, as duas apertam as mãos e ficam assim até o final, quando se abraçam.
Continuam as duas cantando:

A mão lhe apertou }
E foi bem apertadinha } bis

Para o ano, se Deus quiser, ó maninha }
Nós vamos comer galinha } bis
Ao dizerem os últimos dois versos, todas as crianças da roda cantam também, juntamente com as duas (Noemi Noronha. Natal, RN, 15 de abril de 1947).

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Venho de Recife

Venho de Recife (cantiga infantil)

É uma roda com uma criança no centro, que apenas pula e dança. enquanto as outras cantam:

Venho de Recife }
Para Maceió } bis

Encontrei dona Fulana }
De uma banda } bis

De dona Fulana }
Ninguém tenha dó } bis

Ela canta e pula }
De uma banda só } bis

Informante: Noemi Noronha. Natal, RN, 18 de abril de 1947.

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Tororó

Tororó  (cantiga infantil) - LP Cantigas de Roda: Trio Madrigal e Trio Melodia - 1944/1948
Tom: C

   G7         C        A7          Dm
Eu fui no Tororó beber água e não achei,
             G7           G7/5+     C
Achei bela morena, que no Tororó deixei
                                A7          Dm
Aproveite, minha gente, que uma noite não é nada
               G7         G7/5+      C
Se não dormir agora, dormirá de madrugada

      Em Ebm  Dm*        G7*    C
Oh, Dona Ma...ria, oh, Maria....zinha
     Am    Dm         G7   C
Entrará na roda e ficará sozinha
          Em Ebm Dm*           G7   C
- Sozinha eu não fico, nem hei de ficar
       Am    Dm         G7      C
Porque tenho Chico para ser meu par

Outra versão mais detalhada dessa cantiga de roda:

É uma ronda de crianças e uma das meninas do lado de fora. Cantam as da roda:

Eu fui ao Tororó
Beber água e não achei
Achei bela morena
Que no Tororó deixei.

Ô dona fulana.
Ô dona fulana
Entrarás na roda
E ficarás sozinha.

Aqui a menina que está fora passa para dentro da roda e canta:

Na roda não fico
Nem hei de ficar
Porque tem fulana
Para ser meu par

Fulana é o nome da criança escolhida pela que está no centro da roda. Então as duas cantam, trocando o pé, alternadamente, um para cá e outro para lá:

Tira, tira o seu pezinho
Bota aqui ao pé do meu
E depois não vá dizer
Que seu pai se arrependeu

A mamãe está me chamando
Eu não sei para que é
Se for pra varrer a casa
Varra ela se quiser

Informante: Noemi Noronha. Natal, RN, 15 de abril de 1947

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Tengo, tengo, tengo

Tengo, tengo, tengo  (cantiga infantil)

É uma roda de crianças. Cada menina que se bota no lixo vai para dentro da roda, até a última. Aí, ficam abraçadas. Para começar, todas cantam:

Tengo, tengo, tengo.
Ó maninha,
É de carrapixo,
Vou botar Fulana.
Na lata do lixo.


Aqui, a menina escolhida vai para o centro da roda. Repete-se o verso sucessivamente, até entrar a última menina para a lata do lixo. Depois, todas cantam:

Tengo, tengo, tengo.
Ó maninha,
É de carrapixo,
Vou tirar Fulana.
Da lata do lixo.


Depois que sai a última criança, todas cantam, pulando:

Tengo, tengo, tengo
Ó maninha
É de carrapixo,
Já saímos todas
Da lata do lixo.


Informante: Ivanosca Noronha. Nata, RN, 11 de abril de 1947

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Seu lobo

Seu Lobo  (cantiga infantil)

É uma fila de meninas, de mãos dadas, e seu lobo defronte, a uma certa distância. As meninas cantam, andando pra frente e pra trás:

Vamos passear no bosque }
Enquanto seu lobo vem } bis

Perguntam:
— Está pronto, seu lobo?

O lobo responde:
— Estou tomando banho.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou me enxugando.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou vestindo a cueca.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou vestindo a calça.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou vestindo a camisa.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou calçando as meias.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou calçando os sapatos.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou botando a gravata.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou botando o paletó.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou penteando o cabelo.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Estou botando o chapéu.

As meninas:
— Vamos passear no bosque...

O lobo:
— Vou buscar a bengala.

Aqui saem todas na carreira e o lobo atrás, até pegar uma, que será o lobo na vez seguinte.

Informante: Noemi Noronha. Natal, RN, 12 de abril de 1947.

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Siu, siu, siu...

Siu, siu, siu... (cantiga infantil)

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

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Partitura [PDF:18KB] Cifrado para o Realejo


É também uma ronda de meninas, que cantam:

Siu, siu, siu,
Venha cá, meu bem
Siu, siu, siu,
Ele vai, já vem

De tarde estava cosendo
A linha foi deu um nó
Si quiseres falar comigo,
Venha amanhã que eu estou só.

Siu, siu, siu, etc.

Cravo branco na janela
É sinal de casamento;
Menina guarda teu cravo
Que contigo eu caso sempre.

Siu, siu, siu, etc.

Alecrim da beira d'água
Deu o vento está pendendo
Amigos e camaradas
Por detrás estão nos vendendo.

Siu, siu, siu, etc.

Informante: Dona Bibi. Natal, RN, 3 de maio de 1947

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Seu tenente

Seu tenente (cantiga infantil)

As meninas ficam sentadas na beira da calçada. Passa uma pela frente delas, que é o tenente, pra lá e pra cá. Então, cantam as que estão sentadas:

Seu tenente }
Seu tenente }
Fita verde no chapéu }
As mocinha estâo dizendo }
Seu Tenente vem do céu }
bis

Canta a menina que representa o tenente:

Menina que está sentada
Se levante, dê-me a mão
Acompanhe o passo á porta
E vem atrás o capitão

O tenente e a menina que se levantou:

Ora viva, ora viva
Ora viva o capitão
Quem for bom me acompanhe
Quem for ruim não venha não

E assim vão fazendo com todas as outras, até o fim (Noemi Noronha. Natal, RN, 26 de abril de 1947).

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Sereno da meia-noite

Sereno da meia-noite (cantiga infantil) - LP Brincando de Roda Vol. 2 - 1981

É uma uma roda de crianças, com uma no centro. Cantam as da roda:

Sereno da meia-noite }
Sereno da madrugada } bis

Eu caio, eu caio }
Eu caio. sereno, eu caio } bis

Responde a menina do centro:

Das filhas de minha mãe }
Sou eu a mais estimada } bis

Eu não m'importo, }
Que da amiguinha, }
Eu seja a mais desprezada } bis

Informante: Regina Barreiros. Natal, RN, 16 de maio de 1947

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Senhora Dona Sancha

Senhora Dona Sancha (cantiga infantil) - CD Músicas Folclórias Brasileiras Vol. 3

Senhora Dona Sancha,
Coberta de ouro e prata,
Descubra seu rosto,
Queremos ver sua cara.

Que anjos são esses
Que andam rodeando
De noite e de dia
Padre-Nosso, Ave-Maria.

Somos filhos de um rei
E netos de um visconde
O seu rei mandou dizer
Para todos se esconder.

Senhora dona viúva

Senhora dona viúva - (cantiga infantil)

É uma ronda de crianças, com uma no centro, que é a viúva. Cantam as meninas:

Senhora dona viúva
Com quem você quer casar
Quer casar
Se é com o filho do rei
Ou com o senhor general,
General!

A viúva responde:

Não quero nenhum desses homens,
Que não nasceu para mim
Para mim
Eu sou uma pobre viúva
Ai triste, coitada de mim,
Ai de mim!

A viúva acrescenta, escolhendo uma menina:

Vem cá, meu bem }
Vem cá, meu amor }
Amores ausentes }
Foi quem me matou }
bis

A menina escolhida passa a ser a viúva e a roda continua com a primeira quadra.

Informante: Noemi Noronha. Natal, RN, 12 de abril de 1947

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).

Senhora dona Arcanjila

Senhora dona Arcanjila - (cantiga infantil)

Todas ficam de cócoras. A menina do centro põe a mão nos olhos. As da roda miam. A do meio tem um pauzinho na mão e com ele vai batendo nas outras, até conhecê-las. Cantam as da roda:

Senhora dona Arcanjila
Coberta de ouro e prata
Descubra o seu rosto
Quero ver a sua cara


Canta a do centro:

Que anjos são estes
Que estão me arrodiando
De noite e de dia
Padre Nosso, Ave Maria!

Cantam as da roda:

São filhos do rei
E netos do conde
Que eles já se escondem
Embaixo da pedra
Do anjo São Miguel


Informante: Dona Bibi. Natal, RN, 27 de abril de 1947

Fonte: Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).