quarta-feira, 2 de março de 2011

Mandi e Sorocabinha

Mandi e Sorocabinha
Mandi e Sorocabinha - Dupla sertaneja formada por Manuel Rodrigues Lourenço, o Mandi (Anhembi SP 25/1/1901—Piracicaba SP 12/3/1987) e Olegário José de Godói, o Sorocabinha (Piracicaba SP 3/1/1895—São Paulo SP 10/7/1995).

Lourenço, nascido no bairro rural do Bom Retiro, em Anhembi, formou-se professor primário em 1920. Com os colegas Lulu (Luis Antônio de Oliveira Júnior), Astrogildo de Lima Pezza e Brochado (Antônio Ferraz de Arruda), todos de origem sertaneja, constituiu, em 1917, o Quarteto Caboclo, que se apresentava cantando e sapateando em benefício do grêmio da Escola Normal.

Quando era diretor do grupo escolar rural do bairro de Dois Córregos, em Piracicaba, conheceu, tocando viola numa venda, o caboclo Olegário. Iniciando um dueto com ele, notou que suas vozes combinavam.

Olegário era filho do machadeiro e cantador Nhô Juca Sorocaba, ou Sorocabão, nascera no bairro e cantava desde os 12 anos, e em 1924 participara do grupo de Cornélio Pires. Ao saber que era filho de Sorocabão, Cornélio o apelidara de Sorocabinha.

Voltaria a fazer parte, em 1929, da Turma de Cornélio Pires, na gravação de discos caipiras na Columbia. Cornélio havia pedido a Tales de Andrade que selecionasse cantadores em Piracicaba, que ganhavam quase nada pelas gravações. Lourenço viu que também poderia gravar em proveito próprio. Escreveu à Victor, propondo a gravação de uma música de sua autoria.

Dado o êxito dos discos caipiras de Cornélio, a gravadora enviou equipamento e técnicos do Rio de Janeiro RJ para Piracicaba, e a 25 de outubro de 1929 foram gravados, no salão nobre da Escola Normal, dez números com o Orfeão Piracicabano, regido pelo professor Fabiano R. Lozano.

Mas a Victor exigiu as dez músicas interpretadas por Lourenço, Olegário e seu pessoal — batizados de Turma Caipira da Victor — que incluía as meninas Avelina, Durvalina e Maria Imaculada, filhas de Olegário, além de Sebastião, Antônio Estêvão (catireiro) e Sebastião Roque. Gravaram então a moda-de-viola Casamento da onça, uma das primeiras a serem gravadas, só antecedida por Jorginho do sertão, lançada dois meses antes no selo de Cornélio Pires.

Em 1930, contratados pela Parlophon, Lourenço e Olegário passaram a usar os apelidos de Mandi e Sorocabinha, pois não achavam direito gravar em outra marca com os próprios nomes, que utilizavam na Victor.

Viajando periodicamente ao Rio de Janeiro para gravar, cantaram na Rádio Mayrink Veiga ao lado de Gastão Formenti, Carmen e Aurora Miranda, Pixinguinha e outros. Apresentaram-se também no Cassino da Urca, a convite de Alvarenga e Ranchinho, que costumavam recitar a antológica poesia de Lourenço, Papai Noel medroso, escrita em 1933, sem lhe creditar a autoria.

A dupla gravou de 1929 a 1940 e, sem contar as reedições, totalizou 55 discos com 110 músicas, todas de sua própria autoria, pois cantador de verdade não cantava música dos outros. São quase todas modas-de-viola, com acompanhamento, conforme a tradição, de apenas uma viola, tocada por um ou outro.

Em 1932, a dupla participou do filme Vamos passear com Cornélio Pires?, produzido por Cornélio, cantando Caboclo feliz, Caipira murtado e Imposto do selo.

No final de 1936, Olegário mudou-se para São Paulo, tornando-se operário, e depois, por muitos anos, porteiro das lojas Mesbla. Ainda chegou a cantar no rádio ao lado das filhas, ou com outros parceiros, no programa de Chico Carrité. Com Mandi fez apenas gravações, já que este, então diretor do Departamento de Ensino Rural da Secretaria da Educação, nãodispunha mais de tempo.

Tendo abandonado a vida artística, Olegário passou a apresentar-se apenas em ocasiões especiais, como no I Congresso do Folclore Brasileiro, em 1951, no Rio de Janeiro, a convite de Rossini Tavares de Lima.

Lourenço aposentou-se em 1950, elegeu-se duas vezes vereadora como presidente da Câmara assumiu, por volta de 1965, a Prefeitura Municipal de Piracicaba.

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